Agentes da ONU confirmam que Irã enriqueceu urânio acima do permitido, e Trump promete retaliação

País islâmico atingiu percentual de 4,5%, ainda distante dos 90% necessários para uso em armas

Washington e Viena | Reuters e AFP

O Irã está enriquecendo urânio a 4,5% de pureza, acima do limite de 3,67% estabelecido no acordo internacional feito pelo país, segundo confirmaram agentes da ONU a diplomatas em uma reunião nesta quarta-feira (10), de acordo com a agência Reuters.

A Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) verificou os níveis de enriquecimento por meio de um sistema de monitoramento em tempo real. 

O presidente do Irã, Hassan Rouhani (à dir.), recebe o enviado francês Emmanuel Bonne em Teerã - Presidência do Irã/AFP

O enriquecimento está distante do percentual de 20% que o Irã atingiu antes do acordo, assim como da marca de 90%, valor necessário para que o material possa ser usado na fabricação de armas nucleares.

O enviado do Irã à ONU afirmou que todas as atividades nucleares do país estão sob monitoramento da Aiea e que Teerã “não tem nada a esconder”. 

O presidente americano, Donald Trump, advertiu nesta quarta-feira (10) sobre uma elevação substancial das sanções impostas ao país.

Trump afirmou que o Irã está enriquecendo urânio a níveis proibidos pelo acordo internacional firmado pelo governo de seu predecessor, Barack Obama, em 2015 —o tratado, no entanto, foi abandonado pelo próprio presidente em maio do ano passado.

O acordo, que também foi assinado por Reino Unido, Alemanha, França, China e Rússia, previa a suspensão das sanções econômicas em troca da diminuição do estoque de urânio enriquecido, assim como do ritmo de enriquecimento do material. 

Também foram previstas inspeções periódicas da Aiea às instalações do programa nuclear iraniano.
Depois de se retirar do acordo, Trump restabeleceu as sanções econômicas contra o Irã, embora o país tenha continuado a observar os termos negociados até maio deste ano.

Teerã calculava que poderia pressionar os demais signatários a adotar medidas compensatórias às sanções americanas, e, assim, preservar a maior parte do tratado.

Enquanto os Estados Unidos insistem em sua estratégia de exercer “pressão máxima” sobre Teerã, impondo sanções, os europeus tentam buscar uma solução, com o envio do diplomata francês Emmanuel Bonne ao Irã para salvar o acordo.

Nos últimos meses, Washington e Teerã vivem uma escalada de tensões vista com temor por aliados dos dois lados, que não têm interesse em um conflito armado na região.

Em junho, Trump desistiu na última hora de um ataque militar a três alvos iranianos. A ação seria uma represália à derrubada de um drone americano pelo Irã, que alegou que o equipamento tinha violado seu espaço aéreo.

Poucos dias antes do incidente, os EUA e a Arábia Saudita responsabilizaram Teerã por ataques a dois navios petroleiros no estreito de Hormuz, no golfo Pérsico, por onde cerca de 30% de todo o petróleo cru consumido no mundo é transportado.

O Irã novamente negou qualquer envolvimento. Não há informações sobre quem estaria por trás do episódio. 

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