Ministro francês renuncia após críticas por pagar jantares com lagosta com dinheiro público

Integrante do governo Macron também foi questionado por reforma realizada em casa oficial

Paris | Reuters

O ministro francês do Ambiente e Transição Ecológica, François de Rugy, renunciou ao cargo nesta terça-feira (16) depois de ser duramente criticado por realizar jantares luxuosos pagos com dinheiro público. 

"Os ataques e o linchamento midiático contra minha família me levam hoje a fazer um recuo necessário. Os esforços necessários para lutar contra as acusações faz com que não possa realizar com tranquilidade as missões que me foram dadas pelo presidente", disse, em comunicado. 

François de Rugy durante discurso na Assembleia Nacional, em 2018 - Alain Jocard - 12.jun.2018/AFP

O site Mediapart publicou reportagens que revelaram que o ministro François de Rugy e sua mulher ofereceram diversos jantares caros, a maioria para amigos, em sua residência oficial em Paris, entre junho de 2017 e outubro de 2018.

Embora não haja suspeitas de ilegalidades, as fotos reforçaram a imagem de um "governo de intocáveis". O líder francês, Emmanuel Macron, criticado por políticas a favor de empresários e por cortar impostos de milionários, luta contra a alcunha de "presidente dos ricos".

Rugy também sofreu críticas após a revelação de que a reforma de sua residência oficial, que custou 63 mil euros (R$ 266 mil), foi paga com dinheiro público. 

Imagens de lagostas enormes em uma mesa coberta de flores à luz de velas, para um jantar de Dia dos Namorados, também geraram revolta.

Rugy, 45, ex-membro do Partido Verde e ativista ambiental, casado com uma jornalista que cobre celebridades, inicialmente não pediu desculpas e chamou as críticas sobre sua conduta de "grotescas".

"Eu assumo toda a responsabilidade pelo fato de que um líder do Parlamento ou um ministro deve ser capaz de oferecer jantares de reuniões informais com empresários e personalidades da cultura e das universidades", disse, na quarta-feira (10).

Nos dias seguintes, recuou e disse que iria rever sua conduta, mas as pressões por sua saída seguiram crescendo. 

Macron tem sido um defensor enfático do Acordo de Paris no exterior. Ele inclusive pressionou o Brasil a se manter no acordo. Rugy ajudava o presidente nessa tarefa.

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