Descrição de chapéu The Washington Post

Namorada de Boris Johnson pode fazer história ao se mudar para residência oficial de premiê

Carrie Symonds será primeira companheira não casada a morar em Downing Street

Siobhán O'Grady Ruby Mellen
The Washington Post

Boris Johnson tem tudo para ser um primeiro-ministro incomum.

Ele certa vez descreveu o mesmo processo pelo qual acaba de ser eleito como uma “fraude gigantesca”.

O agora premiê já se referiu à África como um país. Já chegou a dizer que seria mais provável ele “reencarnar como azeitona” que ser eleito líder do Reino Unido.

Desde que se tornou primeiro-ministro, na terça-feira (24), os tabloides britânicos vêm especulando se ele vai romper com mais uma ortodoxia: Johnson vai se mudar para Downing Street, número 10, em Londres, com sua namorada, Carrie Symonds, fazendo dos dois o primeiro casal não casado a ocupar a residência histórica?

Carrie Symonds assiste ao namorado, Boris Johnson, discursar pela 1ª vez como premiê
Carrie Symonds assiste ao namorado, Boris Johnson, discursar pela 1ª vez como premiê - Toby Melville - 24.jul.19/Reuters

A mídia britânica divulgou que Symonds provavelmente se mudará para a casa no final de semana, para não correr o risco de roubar as atenções de Johnson em seu momento especial sob os holofotes.

O casal é alvo de interesse intenso da mídia britânica desde que começaram a namorar, no ano passado. O novo premiê tem 55 anos, e Symonds, 31. Johnson está no processo de divorciar-se de sua esposa, Marina Wheeler, com quem tem quatro filhos e foi casado por 25 anos.

O interesse atingiu nível febril no mês passado quando a polícia foi ao apartamento compartilhado por Johnson e Symonds em Camberwell, na zona sul de Londres, pouco depois da meia-noite, chamada por vizinhos que ficaram preocupados ao ouvir uma discussão doméstica ruidosa.

O jornal The Guardian informou que um vizinho gravou a discussão em seu celular, dizendo que ouviu Symonds gritar “saia de cima de mim” e “fora do meu apartamento!”.

Symonds também teria gritado várias vezes com Johnson por ele ter derrubado vinho sobre o sofá, e Johnson a teria mandado parar de usar o laptop dele.

Mais tarde, a campanha de Johnson se negou a responder a perguntas sobre a briga, e ele descreveu a obsessão com o assunto como algo que “transcende a sátira”.

O incidente colocou Symonds sob os holofotes nacionais, mostrando-a sob ótica pouco elogiosa, ocultando o fato de ela ser uma profissional altamente respeitada, independentemente de sua relação com Johnson.

​Symonds já trabalhou como diretora de comunicações do comando do Partido Conservador e foi assessora de Sajid Javid, o novo secretário de Finanças. No momento, ela trabalha para a organização de conservação ambiental Oceana.

No Twitter, ela se descreve como conservacionista que combate a poluição com plásticos. Muitos de seus tuítes recentes tratam de bem-estar animal e sustentabilidade.

Em junho ela retransmitiu mensagens de Johnson no Twitter em que ele disse que, se fosse escolhido primeiro-ministro, “acabaria com o flagelo da poluição plástica”.

Não está claro qual será o papel de Symonds na administração de Boris Johnson e na vida pública.

Os deveres de uma primeira-dama ou de um primeiro-cavalheiro são muito menos formalizados no Reino Unido que nos EUA e variam segundo quem ocupa essa posição.

Mas os(as) companheiros(as) de premiês recém-eleitos geralmente os acompanham quando eles são recebidos pela rainha no Palácio de Buckingham.

Nos Estados Unidos, onde figuras como Eleanor Roosevelt, Jackie Kennedy e Michelle Obama se tornaram objetos de adoração e fascínio público depois de chegarem à Casa Branca, as primeiras-damas exercem um papel de grande destaque.

No Reino Unido, porém, os consortes de políticos muitas vezes adotam um perfil mais discreto. Foi o caso de Philip, o marido da última premiê, Theresa May, e também de Samantha Cameron, esposa do ex-primeiro-ministro David Cameron.

Tradução de Clara Allain 

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