Descrição de chapéu Governo Trump

Navio americano derruba drone iraniano no estreito de Hormuz, diz Trump

Episódio ocorre após Teerã afirmar que apreendeu petroleiro estrangeiro

Washington | Reuters

O presidente Donald Trump disse que o navio americano USS Boxer destruiu um drone iraniano no estreito de Hormuz nesta quinta (18). A aeronave teria ameaçado a embarcação por ter voado próxima a ela, a cerca de 900 metros.

A afirmação foi feita em um evento na Casa Branca. "Esta é a última de muitas ações provocativas e hostis do Irã contra navios que operam em águas internacionais. Os Estados Unidos se reservam o direito de defender nosso pessoal, instalações e interesses", disse Trump.

"O drone foi imediatamente destruído", completou. Ele não deu mais detalhes.

Oficiais da Marina americana trabalham em drones MV-22 no deck do navio USS Boxer, no Mar da Arábia - Ahmed Jadallah/Reuters

O Pentágono não mencionou se a aeronave era iraniana. Apenas afirmou em declaração que o USS Boxer, um navio de assalto anfíbio, tomou "ação defensiva" contra um drone.

O ministro do Exterior do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse que não estava ciente da derrubada de qualquer drone de seu país. "Não temos informações sobre a perda de um drone hoje", afirmou a repórteres antes de um encontro com o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, na ONU. 

O episódio ocorre apenas horas depois de o Irã afirmar ter apreendido, no domingo (14), um petroleiro estrangeiro com 12 pessoas a bordo, também no estreito de Hormuz. O cargueiro MT Riah, de bandeira panamenha, estaria contrabandeando 1 milhão de litros de petróleo. 

Os EUA demandaram nesta quinta que o Irã liberte imediatamente o petroleiro. Um comandante militar americano na região disse que Washington tomará atitudes "agressivas" para garantir a livre circulação de petroleiros pelo canal, por onde passa quase um terço do petróleo mundial transportado por via marítima.

A tensão na região do estreito de Hormuz, via de escoação do petróleo do Oriente Médio para Europa e Ásia, alcançou o ponto máximo nas últimas semanas com uma espiral de eventos, como os ataques de origem desconhecida contra petroleiros e a destruição de um drone americano pelo Irã.

Em 20 de junho, o Irã derrubou um drone dos EUA que teria violado o espaço aéreo iraniano. Washington afirmou que a aeronave não tripulada estava em espaço aéreo internacional, e que o abate era uma provocação. 

Um dia depois, em 21 de junho, Trump afirmou que cancelou em cima da hora uma operação de ataque aéreo contra o Irã. Segundo o republicano, o revide seria "desproporcional", já que a ofensiva tinha potencial para matar 150 pessoas.

Teerã vem sendo acusada por Washington de provocar atos de sabotagem contra petroleiros que trafegam na região, mas nega qualquer responsabilidade.

Em um clima de elevada tensão entre os países, o governo dos Estados Unidos expressou o desejo de formar uma coalizão marítima internacional para garantir a liberdade de navegação no Golfo.

Um dos fatores que geraram a intensificação do conflito foi a retirada de Washington, no ano passado, do acordo nuclear internacional assinado em 2015. Eles acusam Teerã de desestabilizar a região. 

Após ter saído do acordo, os EUA restabeleceram sanções econômicas contra o Irã, sobretudo contra as exportações de petróleo, a principal fonte de renda do país. Ao mesmo tempo, Washington afirma não querer guerra com o Irã.

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