Navios do Irã tentaram bloquear petroleiro britânico no golfo, diz Reino Unido

Passagem só teria sido liberada após intervenção da Marinha britânica

Londres | AFP

Navios iranianos tentaram impedir a passagem de um petroleiro britânico no estreito de Hormuz, na quarta-feira (10) à noite, afirmou nesta quinta-feira (11) o governo do Reino Unido.

Na semana passada, a marinha britânica capturou um petroleiro iraniano em Gibraltar, que estaria violando sanções da União Europeia à Síria. O caso está sob investigação e a embarcação continua retida. 

"Contra a lei internacional, três navios iranianos tentaram impedir a passagem de uma embarcação comercial, o British Heritage, pelo estreito de Hormuz", afirma um comunicado do governo britânico.

O navio da marinha britânica HMS Montrose, em imagem de arquivo - Joel Rouse/Marinha Real - 10.out.2012/Reuters

A nota explica que a Marinha Real teve de intervir, com o deslocamento de uma fragata para ajudar o petroleiro, que pertence ao grupo BP Shipping, filial de transporte de combustíveis da gigante BP.

"O HMS Montrose se viu forçado a se posicionar entre os navios iranianos e o British Heritage e a emitir uma advertência verbal aos barcos iranianos, que recuaram", completou o governo de Londres.

"Estamos preocupados com esta ação e continuaremos pedindo às autoridades iranianas que acalmem a situação na região", prossegue o comunicado.

Um avião americano filmou o incidente, que terminou quando a fragata britânica, que escoltava o petroleiro, apontou suas armas para os navios iranianos, com a exigência de que se afastassem, informou o canal de notícias CNN.

A Guarda Revolucionária iraniana negou ter bloqueado o petroleiro.

"Não houve confronto nas últimas 24 horas com nenhum navio estrangeiro", afirma um comunicado publicado pela agência de notícias Sepah News, ligada às Forças Armadas do Irã. 

O incidente acontece depois da advertência do presidente iraniano, Hassan Rouhani, na quarta-feira, ao Reino Unido para as consequências após a interceptação, por parte de Londres, de um petroleiro iraniano na costa de Gibraltar na semana passada.

O Grace 1 foi interceptado na quinta-feira passada (4)  após uma operação que o Irã chamou de pirataria em alto-mar.

Capturado pelo Reino Unido a pedido dos Estados Unidos, o navio esteve envolvido no transporte de petróleo iraniano para Cingapura e China, segundo a agência Reuters. Essas transações violariam as sanções impostas pelos EUA ao Irã. 

A tensão na região do estreito Hormuz, por onde passa quase um terço do petróleo mundial transportado por via marítima, alcançou o ponto máximo nas últimas semanas com uma espiral de eventos, como os ataques de origem desconhecida contra petroleiros e a destruição de um drone americano pelo Irã.

Teerã, acusada por Washington de provocar atos de sabotagem contra cargueiros, negou qualquer responsabilidade.

Em um clima de elevada tensão entre os países, o governo dos Estados Unidos expressou o desejo de formar uma coalizão marítima internacional para garantir a liberdade de navegação no Golfo.

"Acredito que provavelmente durante as duas ou três próximas semanas determinaremos quais são os países que têm vontade política de respaldar esta iniciativa. Depois vamos trabalhar diretamente com os militares para identificar as capacidades específicas que devem sustentar este projeto", afirmou na terça-feira o general Joseph Dunford, comandante do Estado-Maior do Exército dos EUA.

O general explicou que Washington proporcionaria "o conhecimento e a vigilância do âmbito marítimo". A Quinta Frota americana tem sede no Bahrein.

Os petroleiros seriam escoltados pelas nações sob a bandeira com as quais as embarcações navegam, como declarou em junho o presidente americano, Donald Trump.

Washington se retirou do acordo internacional assinado em 2015 sobre o programa nuclear iraniano, ao acusar Teerã de desestabilizar a região.

O governo dos Estados Unidos restabeleceu as duras sanções contra o Irã, especialmente contra as exportações de petróleo, ao mesmo tempo que afirmou que não desejava uma guerra com a República Islâmica.

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