Polícia de Hong Kong prende primeiro suspeito de invadir Parlamento

Manifestações geram crise diplomática entre China e Reino Unido

São Paulo e Londres | AFP

A polícia de Hong Kong prendeu uma pessoa sob acusação de invadir o Parlamento local junto a um grupo de manifestantes, durante protesto que levou centenas de milhares de honcongueses às ruas na segunda-feira (1º). 

O homem de 31 anos, cujo sobrenome é Poon, foi detido porque teria, segundo as autoridades locais, atacado a polícia, realizado destruição criminosa e forçado a entrada no Parlamento.

Além dele, outras 12 pessoas foram presas por relação com protestos, sendo 11 homens e uma mulher, com idades entre 14 e 36 anos. As acusações contra eles incluem posse de armas, associação ilegal e ataque a um policial, de acordo com o jornal The New York Times.

Pichação no Parlamento de Hong Kong diz que o território "não é a China" - Anthony Wallace/AFP

Outras oito pessoas foram presas sob acusação de divulgar dados pessoais de policiais na internet, como endereços e telefones. 

Na segunda-feira (1º), dia do aniversário de 22 anos da devolução do território para a China, centenas de milhares de pessoas protestaram nas ruas. Um grupo invadiu o Parlamento local. Eles exibiram uma faixa da época colonial britânica, rasgaram fotos de líderes de Hong Kong e saquearam o prédio, deixando pichações em suas paredes. Eles foram expulsos pela polícia.

Manifestações em Hong Kong são realizadas há meses. Os protestos refletem o medo da população em face da crescente influência do governo chinês e do declínio das liberdades na antiga colônia britânica.

O Parlamento local tem sido o centro das manifestações contra um projeto de lei do governo para autorizar extradições para a China continental. Os ativistas exigem a retirada definitiva da proposta, a renúncia da chefe-executiva do território, Carrie Lam, e o fim das ações judiciais contra opositores presos.

Embora Hong Kong tenha sido transferido do Reino Unido para a China há 22 anos, o território ainda é administrado sob um acordo conhecido como "um país, dois sistemas".

Assim, os habitantes do território gozam de direitos raramente vistos na China continental, mas muitos sentem que o gigante asiático tem se afastado do acordo.

Na terça (2), o chefe da diplomacia britânica, Jeremy Hunt, ameaçou a China com "graves consequências" caso não respeite o acordo firmado em 1984 que garante liberdades na região.

"Hong Kong faz parte da China, e temos que aceitar. Mas as liberdades em Hong Kong estão registradas em uma declaração comum", disse. "Esperamos que um acordo juridicamente obrigatório seja respeitado e, se não for o caso, haverá graves consequências."

A China respondeu de forma dura e convocou seu embaixador em Londres. "Ele (Hunt) parece estar fantasiando com a glória esmaecida do colonialismo britânico", criticou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, antes de acrescentar que o "Reino Unido não tem mais a mínima soberania" sobre Hong Kong. 

Os manifestantes debatem quais serão os próximos passos do movimento. Há dúvidas sobre seguir protestando de forma pacífica ou adotar táticas mais agressivas, como a exposição de dados pessoais de policiais que atuam na repressão aos protestos. 

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