Socialista italiano David Sassoli é eleito presidente do Parlamento Europeu

Novo líder defende mudar regras de imigração da UE e critica nacionalismo extremista

São Paulo e Estrasburgo (França) | Reuters

Parlamento Europeu elegeu o socialista italiano David Maria Sassoli nesta quarta-feira (3) como presidente da Casa pelos próximos dois anos e meio.

Sassoli, 63, foi escolhido por uma votação em dois turnos na primeira sessão do Parlamento Europeu realizada pela nova legislatura, eleita em maio. Ele teve 345 votos, de um total de 751 eurodeputados. 

O italiano David Maria Sassoli discursa após ser eleito presidente do Parlamento Europeu - Vincent Kessler/Reuters

"A União Europeia [UE] não é um acidente da história. Somos filhos e netos dos que encontraram um antídoto contra a degeneração nacionalista que envenenou nossa história", disse Sassoli, em discurso após a vitória. 

O novo presidente é um ex-jornalista de Florença, que trabalhou em jornais, agências de notícias e foi apresentador da TV italiana RAI. Ele entrou para a Eurocâmara em 2014, na qual foi um dos vice-presidentes, e é crítico da política anti-imigração do governo italiano, fortemente defendida pelo ministro do Interior do país, Matteo Salvini. 

Em seu discurso, Sassoli convocou os europeus a conter o "vírus" do nacionalismo extremista e defendeu uma reforma das regras de imigração e de asilo da UE. 

No mandato anterior, o Parlamento foi presidido por outro italiano, Antonio Tajani, que era próximo de Sílvio Berlusconi. Aos 82 anos, Berlusconi foi eleito na votação de maio para o Parlamento Europeu e integra esta legislatura. 

Na terça (2), a UE anunciou outros nomes que passam a comandar o bloco. A presidência da Comissão Europeia (equivalente ao Executivo da UE) ficará com Ursula von der Leyen, atual ministra da Defesa da Alemanha, de perfil moderadamente conservador.

Os franceses conseguiram emplacar Christine Lagarde, diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), à frente do Banco Central Europeu. Ela divulgou um comunicado dizendo que deixa o posto no FMI devido à nomeação.

Para a chefia do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e/ou governo da UE (e, para muitos, constitui a única instância decisória real do bloco), foi designado o premiê belga, Charles Michel, de tendência liberal.

O atual chanceler espanhol, Josep Borrell, ficará a cargo da política externa do bloco.

As nomeações ainda precisam ser aprovadas pelos eurodeputados. O atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, fica no cargo até 31 de outubro.

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