Descrição de chapéu The Washington Post

Submarino da era soviética emite forte radiação no fundo do mar, diz Noruega

Especialistas dizem que descoberta não deve causar alarme, pois o césio radioativo é facilmente diluído

Claire Parker
The Washington Post

A Noruega descobriu que um submarino da era soviética que afundou no mar da Noruega há 30 anos está vazando radiação em níveis até 800 mil vezes acima do normal.

Usando um veículo de controle remoto para sondar o naufrágio, os pesquisadores descobriram extensos danos no submarino Komsomolets, que está a mais de 2.500 metros de profundidade, no leito marinho. A investigação revelou o nível de radiação excepcionalmente alto na área ao redor de um duto de ventilação no naufrágio, segundo a Autoridade de Radiação e Segurança Nuclear norueguesa.

Instituto de Pesquisa Marinha da Noruega mede nível de radiação em torno do submarino Komsomolets - Reuters

A mais alta medida registrada pelos pesquisadores foi de 800 becquerels por litro; os níveis de radiação nesse corpo de água normalmente permanecem em torno de 0,001 Bq por litro, informou o órgão.

"Este é, naturalmente, um nível mais alto do que normalmente medimos no mar, mas os níveis que encontramos agora não são alarmantes", disse a líder da expedição, Hilde Elise Heldal, do Instituto de Pesquisa Marinha da Noruega, segundo a agência Reuters.

 

Duas ogivas nucleares e um reator nuclear permanecem a bordo do submarino naufragado, de 120 metros de comprimento. Autoridades norueguesas e russas examinam periodicamente os destroços para monitorar os níveis de radiação e avaliar riscos de poluição. Investigadores russos já haviam encontrado pequenos vazamentos de radiação nos anos 1990 e em 2007, disse a Autoridade de Radiação e Segurança Nuclear.

Heldal disse que os membros da equipe "não se surpreenderam" ao descobrir níveis elevados de radiação desta vez, segundo a emissora britânica BBC.

A descoberta não deve causar alarme, acrescentou ela. O césio radioativo é facilmente diluído nas profundezas do mar da Noruega, e poucos peixes vivem na área em torno dos destroços.

"O que descobrimos tem muito pouco impacto nos peixes e frutos do mar noruegueses", disse Heldal, segundo a agência Associated Press. "Em geral, os níveis de césio no mar da Noruega são muito baixos, e como o naufrágio é muito profundo a poluição causada pelo Komsomolets é rapidamente diluída."

O Komsomolets --nome que significa "membro da Liga dos Jovens Comunistas"-- foi um submarino de ataque nuclear russo lançado em maio de 1983 de Severodvinsk, cidade soviética no mar de Barents.

Sessenta e nove tripulantes ocupavam o navio --o submarino de mergulho mais profundo do mundo na época--, de acordo com uma publicação da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos sobre o desastre do Komsomolets. Ele tinha a capacidade de lançar armas nucleares e convencionais.

O Komsomolets estava patrulhando as águas havia 39 dias, em 7 de abril de 1989, quando um incêndio irrompeu num compartimento e rapidamente se espalhou pelo submarino, de acordo com um relatório da CIA. Quarenta e dois homens morreram no incêndio ou enquanto aguardavam o resgate, e o submarino afundou.

A expedição conjunta russo-norueguesa ao local neste mês foi a primeira em que os pesquisadores usaram um veículo operado remotamente para examinar e filmar os restos do submarino. A equipe divulgou um vídeo assustador dos destroços nesta semana, que mostra torpedos intactos no meio da destruição causada pelas chamas e pelo tempo no casco de titânio da embarcação.

A exploração do submarino ocorre uma semana depois que um incêndio a bordo de outro submarino russo matou pelo menos 14 marinheiros no mar de Barents. Apesar do dano que sofreu, a nave conseguiu retornar intacta ao porto. Reportagens na mídia russa conectaram o atual navio nuclear à unidade submarina de inteligência do Ministério da Defesa da Rússia, que segundo a Otan poderia estar usando submersíveis em atividades de vigilância submarina.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves    

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