Descrição de chapéu The New York Times

Trump faz terceiro ataque a ativistas negros em três semanas

Presidente chamou reverendo Al Sharpton de 'trapaceiro' e 'encrenqueiro'

Washington | The New York Times

O presidente Donald Trump atacou o reverendo Al Sharpton nesta segunda-feira (29), chamando-o de "trapaceiro" e de alguém que "odeia brancos e policiais", horas antes da entrevista coletiva que Sharpton concederia em Baltimore para comentar os tuítes de Trump com críticas à cidade e a um congressista negro.

Sharpton, que já foi candidato à indicação presidencial pelo Partido Democrata e apresenta um programa de entrevistas no canal MSNBC, falou em Baltimore na companhia de Michael Steele, que foi presidente do Comitê Nacional do Partido Republicano e vice-governador de Maryland.

O reverendo Al Sharpton fala com jornalistas em Baltimore, nos EUA - Stephanie Keith/Reuters

"Conheço Al há 25 anos", tuitou Trump pela manhã. O presidente afirmou que os dois "sempre se deram bem" e iam a lutas de boxe juntos.

"Ele costumava me pedir favores", disse Trump. "Al é um trapaceiro, um encrenqueiro, sempre procurando tirar vantagem. Fazendo o seu negócio. Deve ter intimidado a Comcast/NBC. Odeia brancos e policiais!"

Sharpton condenou Trump pelo ataque, que chamou de "intolerante e racista".

"Ele pode falar o que quiser. Sim, pode me chamar de encrenqueiro. Eu crio problemas para intolerantes", disse. 

A entrevista coletiva de Sharpton foi realizada dois dias depois de Trump criticar Baltimore como uma "bagunça infestada de roedores", onde "nenhum ser humano desejaria viver". Ele também atacou o deputado Elijah Cummings, democrata de Maryland, cujo distrito eleitoral abarca parte da cidade.

Cummings é presidente do Comitê de Fiscalização da Câmara, que vem realizando uma série de audiências que criticam as práticas do governo Trump.

Sharpton respondeu na manhã de segunda-feira, postando uma foto de Trump participando em 2006 de uma conferência organizada pela National Action Network, organização de Sharpton. A foto inclui também o cantor James Brown e o líder dos direitos civis Jesse Jackson.

"Trump na NAN Convention 2006, dizendo a James Brown e Jesse Jackson por que ele respeita meu trabalho. Mudou de música agora", escreveu Sharpton.

Trump logo rebateu via Twitter, afirmando que o reverendo "sempre pedia" que ele fosse aos seus eventos, "como favor pessoal".

"Era raro, mas às vezes eu ia. E tudo corria bem", disse Trump.

O presidente também retomou seu ataque a Baltimore e Cummings na segunda-feira, afirmando falsamente em um tuíte que a cidade de mais de 600 mil moradores tem as piores "estatísticas de crime da nação".

Baltimore na verdade é a terceira cidade mais perigosa do Estados Unidos, atrás de Detroit e de St. Louis, de acordo com relatório de 2017 do FBI sobre crime.

Trump escreveu: "25 anos de só conversa e nenhuma ação! Cansado de ouvir a mesma mentira.... A seguir, o reverendo Al aparece para se queixar e protestar. Nada será feito pelas pessoas que precisam. Triste!".

Steele também se pronunciou sobre Trump no final de semana, questionando em um tuíte "quanto mais das lamúrias, tuítes, intimidações e racismo de Trump estamos dispostos a aguentar".

Os ataques de Trump a Cummings surgiram duas semanas depois que ele começou a criticar um grupo de quatro deputadas federais liberais e membros de minorias, conhecidas no Congresso como "o esquadrão".

No primeiro de seu tuítes contras as deputadas, todas em primeiro mandato, ele disse que elas deveriam "voltar" aos "lugares totalmente quebrados e infestados de crimes de onde vieram" —declarações que lhe valeram uma reprimenda da Câmara.

Apenas uma das quatro deputadas —Ilhan Omar, democrata de Minnesota, uma refugiada somali que se tornou cidadã dos Estados Unidos em 2000— nasceu fora do Estados Unidos. As demais —as deputadas Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York; Ayanna Pressley, de Massachusetts; e Rashida Tlaib, de Michigan, nasceram nos Estados Unidos.

Em novo tuíte na segunda-feira, Trump voltou a mencionar as quatro legisladoras. "Se os democratas vão defender 'o esquadrão' da esquerda radical e a Baltimore fracassada do Rei Elijah, a estrada para 2020 será longa", disse.

Os assessores de Trump concluíram que a mensagem geral transmitida por esses ataques é boa para o presidente em sua base política, além de ecoar com força entre os eleitores brancos de classe trabalhadora que ele necessita para conquistar a reeleição em 2020.

Tradução de Paulo Migliacci

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior do título indicava que o reverendo ​Al Sharpton era congressista. A informação foi corrigida. 

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