Descrição de chapéu Governo Trump

Trump sobe tom de ataque contra democratas, que reagem pedindo seu impeachment

Acusado de racismo, presidente bate-boca com líder da Câmara e com congressistas progressistas

São Paulo e Washington | Reuters

O bate-boca entre o presidente americano, Donald Trump, e a oposição aumentou nesta segunda (15), com o mandatário subindo o tom dos ataques contra um grupo de deputadas democratas. O partido ameaça levar para a votação pelo Congresso uma moção de repúdio contra ele. 

O mandatário chamou a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, de racista após ela sair em defesa das deputadas, que por sua vez pediram o impeachment do presidente em pronunciamento nesta segunda. 

Pelosi escreveu uma carta para congressistas partidários de Trump pedindo apoio para aprovar a resolução, que tem efeito apenas simbólico e não tem data para ser votada. “Nossos colegas republicanos devem nos juntar a nós para condenar os tuítes xenofóbicos do presidente”, disse no texto. 

As deputadas Ilhan Omar, Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley (da esquerda para a direita) respondem aos ataques de Trump durante entrevista em Washington
As deputadas Ilhan Omar, Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley (da esquerda para a direita) respondem aos ataques de Trump durante entrevista em Washington - Brendan Smialowski/AFP

 Pelosi também disse que o slogan de Trump, “Make America Great Again” (faça a América grande de novo) na realidade significa “deixe a América branca de novo”. Foi essa declaração que irritou o presidente. 

“Então a presidente Pelosi disse ‘deixar a América branca de novo’. Isso é muito racista, é uma afirmação muito racista. Estou surpreso que ela disse isso”, afirmou ele em evento na Casa Branca. 

Ele também afirmou que não estava preocupado com as acusações de que era racista devido a suas declarações contra o grupo de deputadas —todas elas pertencentes a minorias étnicas. 

“Até onde eu sei, se você odeia nosso país, se não está feliz aqui, você pode ir embora”, disse o presidente americano durante o evento. 

O caso começou no domingo (14), quando o presidente atacou em uma rede social o grupo de deputadas democratas, afirmando que elas deveriam "voltar e ajudar a consertar os lugares totalmente quebrados e infestados de crime de onde vieram".

Embora não tenha mencionado nomes, Trump parecia estar se referindo a Alexandria Ocasio-Cortez (Nova York), Ilhan Omar (Minnesota), Ayanna Pressley (Massachusetts) e Rashida Tlaib (Michigan) —grupo conhecido como "o esquadrão", que tem sido muito crítico a Trump e também à atual liderança democrata da Câmara.

As quatro têm cidadania americana e apenas Omar não nasceu no país —ela é natural da Somália, mas vive desde 1992 nos EUA, onde chegou como refugiada. 

O presidente americano, Donald Trump, discursa durante evento na Casa Branca nesta segunda (15)
O presidente americano, Donald Trump, discursa durante evento na Casa Branca nesta segunda (15) - Brendan Smialowski/AFP

Em resposta ao presidente, as quatro deputadas deram uma entrevista coletiva em Washington nesta segunda, na qual Omar afirmou que "chegou a hora de nós fazermos o impeachment desse presidente".

Ela, que afirmou falar em nome do grupo, também acusou o republicano de seguir a agenda de grupos racistas. Tlaib e Pressley afirmaram que o objetivo das declarações de Trump é tirar a atenção dos problemas de sua gestão. 

Pouco antes, Ocasio-Cortez tinha dito a jornalistas que Trump “se apoia no racismo, na divisão e no sentimento anti-imigração para consolidar seu poder porque não tem uma visão positiva para o futuro dos Estados Unidos”. 

Ela disse ainda que os ataques foram feitos de maneira deliberada. “Creio que há uma estratégia de dividir o país, porque quanto mais isso acontece, mais ele se beneficia”. 

As declarações de Trump acabaram unindo o Partido Democrata em defesa das deputadas atacadas. A sigla vive uma guerra interna entre a ala mais progressista —que inclui as quatro congressistas— e a liderança (incluindo Pelosi), de tendência mais moderada. 

O atrito entre as duas partes ganhou força depois da aprovação de um pacote de US$ 4,6 bilhões destinados a gastos nas fronteiras. O esquadrão criticou duramente o resultado, que teve votos democratas, sob argumento de que ele ajudaria Trump em sua política contrária a imigrantes.

Perguntada pelo The New York Times sobre a revolta do quarteto com a decisão, Pelosi disse que elas não foram capazes de persuadir outros deputados para sua causa. "Essas pessoas têm seu público qualquer e seu mundo no Twitter, mas não geram mobilização. Elas são quatro pessoas e foi essa quantidade de votos que conseguiram".

O esquadrão deu respostas duras à líder do partido. "O público 'qualquer' é o sentimento público", escreveu Ocasio-Cortez no Twitter. "E exercer o poder de mudar é como nós realmente atingimos alterações significativas neste país".

Com isso, é grande a possibilidade da moção contra Trump ser aprovada, já que os democratas têm maioria na Casa. O Senado, porém, é controlado pelos republicanos, que em sua maioria se mantiveram em silêncio sobre o caso. 

O deputado Will Hurd, o único republicano negro da Câmara, foi uma rara exceção que discordou de Trump de maneira direta. "Os tuítes são racistas e xenófobos. Eles também são inexatos", disse ele na rede CNN.

Tim Scott, o único republicano negro do Senado, também criticou o presidente por usar "ataques pessoais inaceitáveis e linguagem racialmente ofensiva".

A senadora Susan Collins, republicana de centro cotada para se reeleger no Maine ano que vem, disse que os comentários de Trump "ultrapassam o limite" e que ele deveria deletá-los.

Já o também senador Lindsey Graham, um aliado de Trump, chamou as quatro deputadas de “comunistas e antissemitas” —acusações depois repetidas pelo presidente—, mas pediu que o presidente parasse com este tipo de ataque pessoal. A cúpula do partido, porém, ainda não se manifestou sobre o assunto e nem respondeu ao pedido de apoio feito por Pelosi. 

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