Massacre em hipermercado no Texas deixa ao menos 20 mortos

Ataque ocorreu em Walmart de El Paso, cidade na fronteira que tem 81% da população com origem hispânica

El Paso (EUA) | AFP e Reuters

Um atirador invadiu neste sábado (3) um hipermercado da rede Walmart localizado no centro comercial Cielo Vista, em El Paso, no Texas, e matou ao menos 20 pessoas, segundo o governador do estado, o republicano Greg Abbott.

De acordo com a agência de notícias Reuters, muitas das pessoas atingidas pelo ataque estavam comprando material escolar. Nos EUA, o ano letivo começa entre o final de agosto e o começo de setembro. 

Além das 20 mortes, o chefe da polícia de El Paso, Greg Allen, informou que houve 26 feridos. A lista de mortos inclui seis mexicanos, segundo informou o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. 

Entre os feridos, há sete mexicanos, de acordo com o governo do país. A possibilidade de que o ataque tenha sido um crime de ódio é analisada pela polícia. “Temos um manifesto deste indivíduo que indica, em certa medida, um possível vínculo com um crime de ódio”, disse Allen em entrevista coletiva.

"Um dia que deveria ter sido normal para fazer compras se tornou um dos dias mais mortais da história do Texas", disse Abbott, em entrevista coletiva. 

Treze pessoas foram encaminhadas ao Centro Médico Universitário da cidade, incluindo uma pessoa que morreu, segundo o porta-voz do hospital Ryan Mielke disse à CNN. 

Alguns dos pacientes passariam por cirurgias, enquanto outros estavam em condição estável, acrescentou ele.

Entre as 13 vítimas levadas à clínica, havia duas crianças, que foram transferidas para o Hospital Infantil de El Paso com ferimentos não fatais.
 

Veículos locais de notícias afirmaram que, em resposta ao apelo da polícia por doações de sangue, longas filas se formaram nos centros médicos, alguns dos quais tinham de pedir a possíveis doadores que voltassem no dia seguinte.

Ainda segundo a CNN, o autor do ataque foi identificado como um homem branco de 21 anos que saiu da cidade de Allen, a 1.000 km de El Paso. Imagens de câmeras de segurança mostram o atirador usando óculos e fones ou protetores de ouvido e segurando um rifle. 

Inicialmente, o prefeito da cidade, o republicano Dee Margo, havia dito que três suspeitos haviam sido detidos. O porta-voz da polícia local, o sargento Robert Gomez, no entanto, afirmou em entrevista coletiva que não podia confirmar a informação e reforçou que apenas uma pessoa foi presa.

Quando os disparos começaram, por volta das 11h no horário local (14h em Brasília), havia entre 1.000 e 3.000 clientes e cem funcionários no supermercado, segundo o porta-voz.

“As pessoas estavam correndo e em pânico, e iam caindo no chão”, disse Kianna Long, que estava com o marido no local do massacre.

El Paso tem 833 mil habitantes, sendo que 81% deles são de origem hispânica, segundo dados da prefeitura. 

Na entrevista coletiva após o ataque, o sargento Gomez respondeu às perguntas dos repórteres em inglês e em espanhol. 

A cidade fica na fronteira dos Estados Unidos com o México. Do outro lado, há Ciudad Juarez, com mais de 1,3 milhão de moradores. O local do ataque está a cerca de 16 km da divisa internacional.

No Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou mensagem sobre o ataque. “Terríveis disparos em El Paso, Texas. Informações são muito ruins, muitos mortos”, escreveu o republicano. “Falei com o governador para garantir total apoio do governo federal. Deus esteja com todos vocês!”

Horas mais tarde, Trump voltou a tratar do tema. "Não foi só trágico. Isso foi um ato de covardia. (...) Não há razões ou desculpas que jamais justificariam matar pessoas inocentes", postou em uma rede social. 

Em um comunicado, o WalMart afirmou: “Estamos em choque com a tragédia no Cielo Vista Mall (...) Estamos orando pelas vítimas, pela comunidade e por nossos associados, bem como pelos socorristas”.

Nascido em El Paso, o pré-candidato democrata à Presidência Beto O’Rourke escreveu em uma rede social que estava com o coração partido. 

No momento do ataque, O’Rourke estava em evento democrata em Las Vegas. A jornalistas, ele disse que “El Paso é o lugar mais forte do mundo”. “A comunidade vai se unir. Eu vou voltar para lá agora para ficar com a minha cidade natal”, disse o candidato.

Outros pré-candidatos também lamentaram o massacre e pediram ações para controle de armas. "Quantas vidas deverão ser encurtadas? Quantas comunidades devem ser dilaceradas? Já passou da hora de nós tomarmos ações para terminar com a nossa epidemia de violência armada", disse Joe Biden, ex-vice de Obama e líder nas pesquisas. 

"Muitas e muitas comunidades já sofreram tragédias como essa. Nós devemos agir agora para encerrar a epidemia de violência armada de nosso país", defendeu a senadora Elizabeth Warren. 

"Tristemente, depois de cada uma destas tragédias, o Senado nada faz. Isso tem que mudar", postou o senador Bernie Sanders.

O ataque ocorre menos de uma semana após um jovem de 19 anos invadir a Festa do Alho de Gilroy, um festival gastronômico na Califórnia, e matar a tiros três pessoas. O adolescente, que se matou na sequência, também deixou outras 12 pessoas feridas. 

A cada ataque como o deste sábado, os EUA retomam o debate sobre restringir a posse de armas, mas as propostas não conseguem avançar.

A medida mais citada é aumentar a checagem de antecedentes criminais de quem compra armas. Uma proposta nesse sentido segue travada no Senado, de maioria republicana.

No país, o lobby da bala, representado pela NRA (National Rifle Association, o lobby pró-armas americano), historicamente faz doações a congressistas –particularmente republicanos— para evitar regulações mais rígidas envolvendo a posse de armas.  

Grupos armamentistas dizem que a segunda emenda da Constituição dos EUA dá ao indivíduo direito de manter e de portar uma arma de fogo.

O número estimado de armas (registradas e ilegais) entre os cidadãos varia de 265 milhões a quase 400 milhões –a população americana soma cerca de 328 milhões de habitantes.

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