Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Venezuela

Brasil vai barrar venezuelanos ligados ao regime de Maduro, diz Mourão

Vice afirma ter lista para impedir entrada de enquadrados em crimes contra humanidade

Paula Sperb
Porto Alegre

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou nesta terça-feira (6) que o Brasil passará a barrar a entrada no país de venezuelanos ligados ao regime do ditador Nicolás Maduro.

Mourão falou que o Brasil "finalmente conseguiu concretizar" a lista de possíveis barrados, mas não detalhou se se aplicaria apenas a membros do alto escalão do governo venezuelano ou quaisquer funcionários públicos.

A afirmação foi feita em Porto Alegre, durante lançamento do livro "Como Destruir um País", de Marcelo Suano, cientista político com trânsito entre os militares. A obra tem prefácio do vice-presidente.

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do vice Hamilton Mourão durante evento em Brasília - Marcos Correa/ Presidência do Brasil/AFP

"Nós, aqui no Brasil, estamos cumprindo, a partir de agora, o que estava acordado na reunião do Grupo de Lima de janeiro. Que todos os países têm de ter uma lista daqueles elementos do regime que estão enquadrados em crimes contra a humanidade e também na corrupção e roubo dos recursos do povo venezuelano", disse Mourão. 

"O Chile e a Argentina já tinham essa lista de gente que não poderia entrar lá. Mas agora, finalmente conseguimos concretizar a nossa. E essa turma não vai poder sair da Venezuela para vir para cá para o Brasil gastar o dinheiro que roubaram do povo venezuelano."

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, esteve em Lima, no Peru, representando o Brasil em uma conferência sobre a Venezuela.

"Toda comunidade internacional precisa enxergar: de um lado o governo constitucional do [autodeclarado presidente interino Juan] Guaidó, de outro o regime genocida de Maduro que sobrevive pela força. Quem defende a liberdade e dignidade humana só tem uma opção: #Fueramaduro", escreveu Ernesto em uma rede social nesta terça.

Araújo, entretanto, não mencionou a lista de barrados anunciada por Mourão.

A reunião em Lima terminou sem anúncios de novas medidas contra o regime Maduro.

O conselheiro de segurança nacional americano, John Bolton, afirmou que os EUA estão prontos para impor sanções contra quaisquer empresas internacionais que façam negócios com a Venezuela. Apesar do tom, os temores de que os EUA anunciariam um embargo contra a Venezuela durante a reunião não se confirmaram.

Na segunda (5), o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva ordenando o congelamento de todos os ativos do regime venezuelano nos EUA. Ao poupar o setor privado mexicano, a medida deixou de ter o peso de um embargo como o aplicado contra Cuba, por exemplo.

Além disso, o fato de a maior parte dos negócios do regime serem hoje ilegais e clandestinos impede a eficácia da medida, segundo especialistas.

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