Britânicos vão às ruas para protestar contra Boris Johnson

Manifestantes acusam primeiro-ministro de tentar um golpe de Estado

Milhares de pessoas participam neste sábado (31) de dezenas de manifestações contra o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, depois da decisão de suspender o Parlamento na reta final para a realização do brexit.

De Manchester, na Inglaterra, a Edimburgo, na Escócia, passando por Belfast, na Irlanda do Norte, a organização contrária ao brexit, Another Europe is Possible (outra Europa é possível), convocou mais de 30 protestos sob o slogan “parem o golpe de Estado”.

Manifestantes seguram cartazes onde se lê "Pare o Golpe" e balançam a bandeira azul da União Europeia.
Manifestantes seguram cartazes e balançam bandeira da União Europeia em protesto contra a decisão do primeiro-ministro de suspender as atividades do parlamento. Os protestos, batizados de "Pare o Golpe" pelos organizadores, ocorreram por todo o Reino unido, incluindo a frente da residência do premiê, em Londres, em 31 de agosto de 2019. - Niklas Halle'n/AFP

A maior concentração foi em Londres, diante da residência do premiê em Downing Street, onde a multidão gritava “Boris Johnson, vergonha!” e exibia bandeiras europeias. Nos cartazes, frases como “democratas não amordaçam a democracia”, “acorda, Reino Unido!” ou ainda “bem-vindo à Alemanha de 1933”.

A manifestação foi brevemente interrompida por homens de cabeça raspada, com a bandeira nacional britânica, que se infiltraram na multidão aos gritos de “o que nós queremos? O brexit! Quando queremos? Agora!”.

Os organizadores dos protestos contrários a Boris anunciaram a expectativa de participação de centenas de milhares de pessoas. A polícia britânica não divulgou números.

A decisão de suspender o Parlamento entre a segunda semana de setembro e 14 de outubro, duas semanas antes do atual prazo final para o brexit —31 de outubro —, provocou uma onda de indignação no país.

No Reino Unido, o primeiro-ministro tem o direito de tomar tal decisão, o que acontece durante o período de congressos anuais dos partidos políticos em setembro. Mas a escolha do momento e a duração de cinco semanas do recesso levaram os adversários de Boris a denunciar uma manobra para garantir que o Reino Unido deixe a União Europeia mesmo sem um acordo.

A ameaça de um “brexit duro”, que geraria caos na economia e nas fronteiras, serve também para forçar a UE a negociar um acordo com Londres antes do prazo final. O objetivo do governo é encontrar uma solução para o “backstop”, mecanismo destinado a evitar uma nova fronteira na ilha da Irlanda. Para os defensores do brexit, essa medida manterá o Reino Unido sob controle de Bruxelas.

Oficialmente, Boris justifica a decisão de suspender o Legislativo com o argumento de que deseja elaborar e apresentar seu programa legislativo, após chegar ao poder em julho. 

As manifestações antecipam uma semana política intensa em Londres, onde o Parlamento voltará ao trabalho na terça. Três ações judiciais foram apresentadas contra a suspensão, e os deputados tentarão evitar um brexit sem acordo.

Também há a possibilidade de uma moção de desconfiança contra o governo, que, caso aprovada, provocaria convocação de novas eleições. O movimento, porém, só tem chances com o apoio dos dez deputados do ultraconservador partido norte-irlandês DUP.

Outro protesto foi convocada para terça (3), mesmo dia em que o principal tribunal civil da Escócia examinará uma demanda apresentada por deputados pró-UE contra a suspensão do Parlamento. Na sexta, o tribunal rejeitou um procedimento urgente para o caso.

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