Descrição de chapéu Venezuela

Comandante dos militares da Venezuela descarta golpe ou governo de transição

Vladimir Padrino afirma que militares vão continuar leais ao ditador Nicolás Maduro

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O principal comandante das Forças Armadas da Venezuela descartou nesta terça-feira (13) a possibilidade de os militares darem um golpe de Estado contra o ditador Nicolás Maduro ou de apoiarem a criação de um governo de transição.

"Aqui não vão instalar nenhum governo porque as Forças Armadas são conscientes de suas obrigações morais e constitucionais", disse o ministro da Defesa e comandante dos militares, Vladimir Padrino. Ele afirmou ainda que seus homens não irão mudar de lado. 

"Vamos defender a democracia, o presidente Nicolás Maduro, que foi eleito pelo povo", completou o ministro. 

O ditador Nicolás Maduro, sua mulher Cilia Flores (esq.), o ministro da Defesa, Vladimir Padrino (dir.) e outros dirigentes participam de cerimônia em Caracas
O ditador Nicolás Maduro, sua mulher Cilia Flores (esq.), o ministro da Defesa, Vladimir Padrino (dir.) e outros dirigentes participam de cerimônia em Caracas - Marcelo Garcia - 7.ago.19/Presidência da Venezuela/AFP

A afirmação foi feita durante um ato com comandantes das Forças Armadas contra as novas sanções impostas pelo governo de Donald Trump contra Caracas. Padrino chamou de "traidores" os opositores do ditador por apoiarem as sanções americanas. 

O apoio das Forças Armadas é um dos principais pilares de sustentação do regime. O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, já tentou algumas vezes convencer os militares a mudarem de lado e apoiarem a saída de Maduro, mas não teve sucesso.

Também nesta semana o regime Maduro tomou novas medidas contra a Assembleia Nacional, órgão liderado por Guaidó e que conta com maioria opositora. 

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), controlado pelo regime, anunciou a retirada do foro privilegiado de mais quatro deputados da Assembleia: José Guerra, Tomás Guanipa, Juan Pablo García e Rafael Guzmán. 

Segundo o tribunal, o grupo irá responder na Justiça por "traição à pátria, instigação à insurreição, rebelião civil, associação para delinquir, desobediência das leis e ódio".

Com a medida, subiu para 25 o número de deputados que perderam a imunidade —dois deles estão presos, Juan Requesens e Edgar Zambrano. Além disso, alguns parlamentares, como Freddy Guevara, procuraram abrigo em embaixadas, e outros já fugiram do país. 

Pela Constituição venezuelana, a partir da próxima quinta (15), a Assembleia Nacional deveria entrar em recesso. Guaidó, porém, defendeu a realização de sessões extraordinárias "nem que coloquem tanques diante da entrada do prédio".

"A Constituição garante que, em condições extraordinárias, podemos continuar realizando sessões. Portanto, vamos fazer isso, está dentro da lei", afirmou.  

Na noite de segunda-feira (12), o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, provocou os deputados da Assembleia e indicou que os parlamentares poderiam ser presos. "Cuidado com o que pode acontecer quando voltarem de férias, vamos fazer a vida de vocês impossível", disse o dirigente durante programa na TV estatal. 

 

Com AFP, de Caracas

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