Democratas responsabilizam Trump por massacres; presidente diz que 'não há lugar para ódio no país'

Pré-candidatos à presidência dizem que retórica de republicano incitou violência contra imigrantes

São Paulo e Washington | Reuters e AFP

Pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos responsabilizaram o presidente Donald Trump por dois massacres que aconteceram em menos de 24 horas no país.

Neste sábado (3), um atirador matou ao menos 20 pessoas em um hipermercado da rede Walmart em El Paso, no Texas. Na madrugada deste domingo (4), um outro ataque a tiros deixou ao menos nove mortos na cidade de Dayton, em Ohio.

Beto O'Rourke, nascido em El Paso, culpou o presidente Trump por incentivar o medo dos americanos em relação aos imigrantes e incitar a violência.

O pré-candidato democrata Beto O'Rourke no local onde ocorreu um ataque a tiros, em El Paso, Texas
O pré-candidato democrata Beto O'Rourke no local onde ocorreu um ataque a tiros, em El Paso, Texas - José Luis Gonzalez/Reuters

"Ele é racista e alimenta o racismo neste país. E isso não só ofende a nossa sensibilidade, isso muda fundamentalmente as características deste país e o leva à violência", disse O'Rourke em entrevista ao canal CNN. 

"Tivemos um aumento nos crimes de ódio em cada um dos últimos três anos durante o governo de um presidente que chamou os mexicanos de estupradores e criminosos", afirmou, referindo-se a uma das justificativas de Trump para construir um muro na fronteira entre os EUA e o México.

A lista de vítimas do massacre inclui seis mexicanos mortos e outros sete feridos, de acordo com o governo do país.

Outro pré-candidato democrata à presidência, Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, afirmou que os políticos e a Casa Branca estavam “hesitantes em condenar o terrorismo da supremacia branca porque estavam constrangidos”.

O senador Cory Booker foi mais um pré-candidato a responsabilizar Trump por semear o ódio. “Suas palavras foram alimentando a supremacia branca e dando licença a ela, e nós estamos vendo os resultados horríveis desse ódio hoje.”

Em entrevista coletiva neste domingo (4), Trump afirmou que "não há lugar para o ódio neste país". A jornalistas em Morristown, New Jersey, o presidente disse que fará um pronunciamento na segunda-feira (5) sobre os ataques.

O republicano ainda disse que tem discutido com o FBI, o secretário de Justiça, William Barr, e membros do Congresso sobre o que pode ser feito para prevenir casos de violência como os ocorridos neste final de semana.

Em defesa de Trump, Mick Mulvaney, chefe de gabinete em exercício na Casa Branca, afirmou que nenhum político é responsável pelos massacres. “A pessoa que foi responsável foi a que puxou o gatilho. Precisamos descobrir como criar menos esse tipo de pessoa, e não tentar culpar quem está indo para a próxima eleição.

Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, no estado de Indiana, afirmou que os políticos e a Casa Branca estavam hesitantes em condenar o terrorismo da supremacia branca porque estavam constrangidos.

"Você não precisa de muita imaginação para juntar os pontos aqui. É muito claro que esse tipo de ódio está sendo legitimado do topo", disse.

O senador por New Jersey Cory Booker ​responsabilizou Trump por semear o ódio. "Suas palavras foram alimentando a supremacia branca e dando licença a ela, e nós estamos vendo os resultados horríveis desse ódio hoje."

"Temos um presidente que fez a sua carreira política demonizando os mexicanos, e agora estamos vendo relatos de que o atirador, ontem, tinha o objetivo de matar o maior número possível de mexicanos", disse ele. 

No sábado (3), outros pré-candidatos também lamentaram o massacre e pediram ações para controle de armas. 

"Quantas vidas deverão ser encurtadas? Quantas comunidades devem ser dilaceradas? Já passou da hora de nós tomarmos ações para terminar com a nossa epidemia de violência armada", disse Joe Biden, ex-vice de Obama e líder nas pesquisas. 

"Muitas e muitas comunidades já sofreram tragédias como essa. Nós devemos agir agora para encerrar a epidemia de violência armada de nosso país", defendeu a senadora Elizabeth Warren. 

"Tristemente, depois de cada uma destas tragédias, o Senado nada faz. Isso tem que mudar", postou o senador Bernie Sanders.

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