Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro diz que aval do governo dos EUA para sua indicação é 'motivo de orgulho'

Deputado diz ter apoio e confiança de Trump; seu nome ainda precisa passar pelo Senado brasileiro

Ricardo Della Coletta
Brasília

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou, em nota divulgada nesta sexta-feira (9), que o aval dado pelo governo dos Estados Unidos à sua indicação como embaixador do Brasil em Washington é "motivo de orgulho" e confirma "o apoio e a confiança já expressas de viva voz pelo presidente Donald Trump".

"Recebi com grande alegria a notícia da concessão, pelo governo norte-americano, do agrément para minha designação como embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América", disse Eduardo no comunicado.

Mais tarde, Eduardo voltou a comentar sua indicação para comandar a representação do Brasil nos Estados Unidos e afirmou que provavelmente será o "embaixador mais cobrado do mundo". 

"Se a resposta do Senado for positiva, irei para os Estados Unidos sabendo da responsabilidade. Sabendo que serei o embaixador provavelmente mais cobrado do mundo, devido aos fatos todos que estão ocorrendo antes da minha ida para a embaixada", declarou o parlamentar a jornalistas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) conversa com jornalistas sobre sua indicação ao cargo de embaixador
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) conversa com jornalistas sobre sua indicação ao cargo de embaixador - Pedro Ladeira - 11.jul.19/Folhapress

Na linguagem diplomática, agrément é a consulta que o governo de um país fez a outro para saber se haveria algum obstáculo à designação do embaixador para o posto. 

"O sinal verde dos Estados Unidos da América, portanto, é motivo de orgulho para mim, ao confirmar o apoio e a confiança já expressas de viva voz pelo Presidente Donald Trump na minha capacidade de ser um representante do Brasil à altura do desafio de construir uma nova relação bilateral. Um sentido verdadeiramente estratégico, para assim aprofundar a cooperação e promover a segurança, a prosperidade e o bem-estar de brasileiros e norte-americanos", acrescentou o parlamentar na nota que divulgou no início da tarde. 

Na semana passada, o presidente americano elogiou a indicação de Eduardo como embaixador em Washington e disse que não considerava o movimento nepotismo, como alegam críticos à indicação.

A nota do deputado foi publicada pouco depois de Eduardo se reunir com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), no Palácio do Itamaraty, em Brasília. 

Depois de deixar a chancelaria, o deputado manteve uma reunião com o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo e favorito para relatar, na Comissão de Relações Exteriores, a designação de Eduardo para a embaixada em Washington. 

No encontro com Rodrigues, Eduardo disse a seu aliado que pretende realizar encontros com os senadores do colegiado a fim de reunir apoios e tentar diminuir a resistência a seu nome. 

"Uma das principais missões do embaixador é colocar os dois chefes [de Estado] em contado direto. Tenho uma certa abertura por parte do presidente dos Estados Unidos, que inclusive uma vez quebrou o protocolo quando da visita oficial de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos e fez um elogio a mim. Então são fatos que realmente vão [me] gabaritando para assumir esse cargo. Aos poucos, as poucas pessoas que ainda não apoiam o meu nome... A gente vai conseguir esse apoio", afirmou o parlamentar a jornalistas. 

Filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo precisa ainda ser formalmente indicado pelo mandatário e confirmado pelo Senado para assumir a chefia da missão diplomática em Washington. 

O Itamaraty encaminhou a consulta formal ao Departamento de Estado dos EUA no final de julho. O retorno positivo foi encaminhado ao Brasil após cerca de duas semanas —tempo considerado curto para os padrões do governo americano.

O agrément tradicionalmente é tratado de maneira sigilosa, para evitar constrangimentos caso o escolhido não agrade o país que vai recebê-lo. 

Bolsonaro, no entanto, quebrou o protocolo ao comentar publicamente sua intenção de designar Eduardo para a embaixada nos EUA antes mesmo de enviar a consulta à administração Trump. 

Nesta sexta, Eduardo Bolsonaro ressaltou ainda que caberá ao Senado dar a "palavra final" sobre sua indicação. 

"Meu sentimento, além de alegria e orgulho, é também de humildade. Caberá ao Senado Federal dar a palavra final e, se meu nome for aprovado, haverá um intenso e árduo trabalho a ser realizado. Tenho consciência de que meu êxito dependerá, sobretudo, da colaboração e do diálogo estreito com o legislativo, os diversos ministérios e as forças vivas da sociedade, notoriamente a comunidade brasileira nos Estados Unidos da América", concluiu o parlamentar na nota. 

Para ser confirmado embaixador, Eduardo precisa passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores e por duas votações, uma no colegiado (de caráter consultivo) e outra no plenário. 

Os articuladores da indicação do filho do presidente consideram que a tramitação no Senado não será fácil —tradicionalmente os senadores não criam obstáculos em votações dos chefes de missão diplomática, mas isso não deve se repetir no caso de Eduardo.

Vários integrantes da comissão já se declararam contrários à nomeação do deputado e até mesmo governistas consideram que, no colegiado, o placar hoje está apertado. 

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