Empresário envolvido em crise de Itaipu esteve no Planalto em fevereiro

Alexandre Giordano viajou ao Paraguai antes e depois de assinatura de acordo com Brasil

Brasília

Suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP) e envolvido na crise de Itaipu, o empresário Alexandre Giordano esteve no Palácio do Planalto em fevereiro.

A informação foi revelada pela revista Carta Capital e confirmada pela Folha. Ela foi obtida pelo PSOL por meio da Lei de Acesso à Informação. 

Segundo a resposta do Planalto, Giordano entrou no prédio da presidência no dia 27 de fevereiro, às 9h.

Não há informações, porém, sobre as reuniões que o empresário participou no local, ou com quem conversou. 

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro havia viajado para Foz do Iguaçu para empossar o novo diretor-geral por parte do Brasil, general Joaquim Silva e Luna.

O Paraguai enfrenta crise política desde o fim de julho, quando foi revelada a assinatura de um acordo secreto com o Brasil para a renegociação dos termos de distribuição de energia da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. 

O documento estabelecia um cronograma para a comercialização da energia gerada pela usina até 2022.

O novo pacto traria prejuízos de mais de US$ 200 milhões a Assunção, o que foi considerado "traição à pátria" pelos parlamentares da oposição e até pelo Honor Colorado, corrente do partido do presidente, Mario Abdo Benítez.

A ata foi assinada em dia 24 de maio, em Brasília, por autoridades brasileiras e paraguaias.

Em paralelo, promotores começaram a investigar possíveis irregularidades no documento. O ex-presidente da Ande Pedro Ferreira entregou ao Ministério Público mensagens trocadas entre ele e o advogado José Rodríguez, que se apresentava como assessor jurídico do vice paraguaio. 

Nas conversas, fala-se da possibilidade de venda da energia excedente do Paraguai para a empresa brasileira Léros, que, segundo informações do advogado, estaria vinculada à “família presidencial” —portanto, à família Bolsonaro. 

É aí que Giordano entra na história: o empresário viajou, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, duas vezes com sócios da empresa brasileira para o Paraguai, a primeira antes do acordo e a segunda após a assinatura do documento.

O jornal também revelou que empresas de Giordano ficam no mesmo prédio onde funcionou, até o final de julho, a sede do diretório estadual do PSL em São Paulo. Mas não está claro se a Léros seria uma destas empresas.

Com a crise desencadeada pela divulgação do acordo, partidos de oposição chegaram a pedir o impeachment do presidente paraguaio, mas o movimento perdeu força quando o tratado foi cancelado. 

Ainda assim, o imbróglio foi suficiente para que uma série de funcionários de alto escalão do governo renunciassem.

Localizada na fronteira entre o Paraguai e o Brasil e com gestão compartilhada entre os dois, a usina binacional de Itaipu é a segunda maior hidrelétrica do mundo em capacidade instalada, atrás apenas da chinesa Três Gargantas.

O tratado que estabeleceu as regras de Itaipu define que cada país tem direito a metade do que é produzido pela usina.

 
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