Estados Unidos querem instalar novos mísseis na Ásia, diz secretário de Defesa

Declaração ocorre após saída de tratado de desarmamento nuclear assinado com a Rússia

Sydney | AFP

O governo dos Estados Unidos quer instalar rapidamente novos mísseis terrestres na Ásia, se possível nos próximos meses, com o intuito de frear a influência da China na região, afirmou o secretário de Defesa, Mark Esper.

"Sim, gostaria de fazer isso", disse, ao ser questionado sobre a possibilidade de Washington instalar na Ásia novas armas convencionais de alcance intermediário após a saída do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), assinado por Estados Unidos e Rússia em 1987.

"Gostaríamos de instalar a capacidade o mais rápido possível", completou Esper, no avião que o transportava para Sydney, na Austrália, onde iniciará uma viagem de uma semana pela Ásia.

"Eu preferiria [que levasse] meses", disse aos jornalistas. "Mas essas coisas tendem a levar mais tempo que o previsto."

Esper não revelou onde deseja instalar o armamento. "Não gostaria de especular, porque é o tipo de coisa que sempre discutimos com os aliados."

Míssil russo S-300, durante teste feito próximo a Astrakhan, na Rússia
Míssil russo S-300, durante teste feito próximo a Astrakhan, na Rússia - Sergey Pivovarov - 19.jun.19/Reuters

Estados Unidos e Rússia confirmaram nesta sexta (2) a saída do INF, com uma troca de acusações sobre qual lado não cumpriu o pacto.

Moscou disse que Washington está cometendo um "grave erro" ao se retirar do tratado e insistiu que os Estados Unidos abandonaram o acordo em seu próprio benefício.

"A retirada dos Estados Unidos conforme o artigo 15 do tratado tem efeito hoje porque a Rússia não retornou ao respeito total e verificado [do pacto]", afirmou em um comunicado o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Assinado ao final da Guerra Fria pelos então presidentes Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchov, o tratado limitou o uso de mísseis com um alcance entre 500 e 5.500 km. Com isso, as duas nações ficam legalmente livres para produzir esse tipo de armamento.

Os mísseis banidos pelo acordo viajam a velocidades subsônicas e de forma “inteligente”, desviando de obstáculos e muito próximo do solo, o que torna difíceis de serem detectados por defesas inimigas.

O INF levou à eliminação de 1.846 ogivas soviéticas e 846 americanas até 1999 e permitiu a retirada dos projéteis balísticos SS20 russos e Pershing americanos espalhados pela Europa.

No entanto, outros países seguiram desenvolvendo armas como essas. Ao sair do tratado, os EUA ficam livres para criar abertamente armas capazes de confrontar os mísseis já desenvolvidos por China, Arábia Saudita, Irã, Israel, Índia e Paquistão, entre outros.​

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