Legisladora queniana é expulsa do Parlamento por levar filha de 5 meses ao trabalho; veja

Episódio fez com que creche, prometida desde 2013, passasse a funcionar no local

Sonia Elks
Londres | Reuters

Uma parlamentar queniana foi expulsa do Parlamento na quarta-feira (7) por levar seu bebê para o trabalho. 

Zuleikha Hassan, 39, do Movimento Democrático Laranja, de centro-esquerda, disse que levou sua filha Mwanabaraka, de cinco meses, porque não conseguiu encontrar alguém para cuidar da criança enquanto estava no Parlamento.

Isto significa que ela deveria ficar em casa, já que as regras da Assembleia Nacional não permitem que alguém além de políticos eleitos esteja no plenário durante o expediente. 

Zuleikha disse que suas ações resultaram na criação imediata de uma creche parlamentar prometida desde 2013 e espera que o caso estimule a discussão sobre as dificuldades enfrentadas por muitas jovens que se sentem forçadas a escolher entre família ou carreira.

"Deve-se destacar os desafios que as mulheres jovens enfrentam", disse ela, por telefone, de Nairóbi.

"Se agora pudermos ter locais de trabalho no Quênia com creches —algo tão simples, mas com um impacto tão grande—, isso seria um passo na direção certa."

Um porta-voz da Assembleia Nacional não foi encontrado para comentar o episódio. 

"Acho que fui paciente o suficiente", disse a parlamentar, mãe de quatro filhos. "Cheguei ao meu limite e disse 'vou com meu bebê para trabalhar'."

Ela escapou da segurança para entrar no local e sentou-se na frente antes de ser obrigada a sair pelo presidente temporário da Câmara.

A remoção, que ocorreu durante a Semana Mundial da Amamentação, provocou discussões e divergências entre os parlamentares, já que alguns tentaram defendê-la e outros pediram que ela saísse.

Embora tenha ficado desapontada por não ter tido a chance de apresentar seus argumentos antes de ser expulsa, Hassan disse que "a mensagem foi enviada". Na manhã desta quinta, descobriu que uma creche parlamentar havia sido instalada.

A legisladora disse que muitas jovens lutam contra locais de trabalho que não permitem a amamentação ou que não comportam outras necessidades de cuidado infantil.

"Você quer ter uma família e uma carreira, mas sempre escolhemos uma ou outra", comentou. "Somos capazes de fazer as duas coisas, mas precisamos de um pouco de apoio."

O episódio também destacou a falta de representação igual para as mulheres, que ocupam menos de um quarto dos assentos no Parlamento do Quênia, de acordo com dados da União Interparlamentar. 

Uma votação no ano passado sobre mudanças que garantiriam ao menos um terço dos lugares para mulheres no Parlamento fracassou devido à baixa participação.

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