Modi defende decisão na Caxemira e Paquistão anuncia boicote a filmes indianos

Em discurso na TV, premiê indiano afirma que revogou autonomia da região para combater terrorismo

Islamabad (Paquistão), Srinagar (Índia) e São Paulo | Reuters e AFP

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu nesta quinta-feira (8) sua decisão de revogar a autonomia constitucional da Caxemira e disse que a ação é uma tentativa de combater o terrorismo na região de maioria muçulmana. 

Mas o Paquistão, que também reivindica controle sobre o território, manteve sua oposição à mudança e anunciou boicote a filmes indianos e interrupção do serviço de trens entre os países. 

"O Paquistão está olhando todas as opções políticas, diplomáticas e legais", disse o ministro das Relações Exteriores do país, Shah Mehmood Qureshi, que descartou a possibilidade de uma ação militar contra o vizinho —os dois países possuem armas nucleares. 

Forças de segurança indianas patrulham rua de Srinagar, na Caxemira
Forças de segurança indianas patrulham rua de Srinagar, na Caxemira - Danish Ismail/Reuters

Na quarta (7), Islamabad já tinha suspendido o comércio bilateral e expulsado o embaixador indiano do país. Em nota, o governo indiano disse lamentar essa decisão e pediu que os canais diplomáticos sejam mantidos. 

 

Os dois vizinhos disputam o controle da Caxemira desde 1947, quando ambos conquistaram sua independência do Reino Unido —cada país controla uma parte da região, além de um trecho que pertence à China.  

A briga tem origens religiosas, já que a Índia tem maioria hindu, enquanto o Paquistão e a própria Caxemira têm maioria muçulmana. 

Exatamente devido a essas hostilidades, a Constituição indiana concedeu à Caxemira uma certa autonomia em relação aos outros estados do país. 

Modi, porém, anunciou na segunda (5) que iria cancelar esse status da parte indiana e imediatamente lançou uma campanha militar para evitar uma revolta na região. 

Diversos líderes locais foram detidos, telefone e internet saíram do ar e postos de controle foram feitos para impedir o acesso da imprensa internacional a certas partes do território.   

No discurso desta quinta, transmitido pela TV, Modi disse que a decisão marca o início de uma "nova era" e que os artigos que concediam autonomia para a região serviram apenas para criar "separatismo, terrorismo, dinastias políticas e corrupção". 

"Estou confiante que com os artigos 370 e 35A se tornando história, Jammu e Caxemira [o nome oficial do estado] vai deixar para trás esses efeitos negativos", disse. 

Modi afirmou ainda que as medidas de segurança serão mantidas até a situação se acalmar, mas que espera que em breve sejam realizadas eleições locais para a população definir os novos líderes da região, mas não estabeleceu uma data para que isto ocorra. 

A declaração do premiê, porém, não serviu para acalmar os moradores da região, e, segundo o jornal The New York Times, moradores da região relataram protestos e confrontos em ao menos duas cidades: Kargil (localizada na cadeia do Himalaia) e Srinagar (a mais populosa do território).      

A publicação informou ainda que ao menos duas pessoas já entraram com um pedido para que a Suprema Corte analise a revogação da autonomia da Caxemira e que a expectativa é de que o caso seja debatido na próxima semana pelo tribunal. 

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