Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Não é desarmando o povo que você evita ataques como os dos EUA, defende Bolsonaro

Comentário é feito no mesmo dia em que Ohio registra terceiro ataque a tiros no país em uma semana

Danielle Brant
Brasília

Para o presidente Jair Bolsonaro (PSL), não é desarmando o povo que ataques a tiros como os três que deixaram mais de 30 mortos em uma semana nos Estados Unidos serão evitados. As declarações foram dadas na manhã deste domingo (4) ao deixar o Palácio do Alvorada em direção a um culto da igreja evangélica Fonte da Vida.

Bolsonaro disse lamentar os ataques nos Estados Unidos. “Lamento, já aconteceu no Brasil também. Lamento, tá certo? Agora, não é desarmando o povo que você vai evitar isso aí”, disse.

“O Brasil, no papel, é extremamente desarmado. E já aconteceu coisa semelhante no Brasil.”

O comentário foi feito no mesmo dia em que Ohio, nos EUA, registrou o terceiro ataque a tiros no país em uma semana. Em Dayton, um atirador matou ao menos nove pessoas na madrugada deste domingo e feriu outras 26. O autor dos disparos, identificado como Connor Betts, um homem branco, de 24 anos, foi morto pela polícia.

No sábado (3), um ataque em um hipermercado da rede Walmart em El Paso, no Texas, deixou ao menos 20 mortos e 26 feridos. O terceiro ataque foi no domingo anterior (28), quando um jovem de 19 anos invadiu a Festa do Alho de Gilroy, um festival gastronômico na Califórnia, e matou a tiros três pessoas e deixou outras 12 feridas. O adolescente se matou na sequência.

Reportagem publicada em 2017 pelo jornal americano The New York Times mostrou que a única explicação para a alta taxa de ataques a tiros nos Estados Unidos é o “astronômico número de armas no país”.

No Brasil, em março deste ano, ex-alunos mataram oito pessoas em um ataque a uma escola em Suzano, em São Paulo. Em abril de 2011, em Realengo (zona oeste do Rio), 12 adolescentes —dez meninas e dois meninos— morreram no massacre da escola municipal Tasso da Silveira. Eles foram vítimas de Wellington Menezes de Oliveira, 23, que atirou contra as vítimas na sala de aula.

O presidente tenta alterar as regras sobre o direito ao porte —transportar a arma consigo, fora de casa ou do local de trabalho— de armas e munições no país. Em junho, diante de uma iminente derrota no Congresso, Bolsonaro decidiu revogar os decretos que flexibilizaram as normas, uma de suas principais promessas de campanha.

Após uma série de anúncios e desmentidos, de reuniões e da revogação até das mudanças que já haviam sido publicadas no Diário Oficial da União, o Palácio do Planalto editou três novos decretos e preparou um projeto de lei.

Técnicos do Senado, no entanto, emitiram uma nota informativa que indica que os novos decretos repetem ilegalidades e inconstitucionalidades das normas publicadas anteriormente. Foram listados oito pontos considerados vícios remanescentes nos novos decretos, como, por exemplo, a reclassificação das armas de fogo para tornar de uso permitido o que antes era de uso restrito.

Citaram também a não exigência de efetiva necessidade para adquirir armas e a previsão de que agentes públicos inativos possam ter porte, além da permissão de prática de tiro para adolescentes a partir de 14 anos. 

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