PF faz operação contra rede de contrabando de migrantes para os EUA

Grupo fornecia passaportes brasileiros falsos para africanos, inclusive suspeitos de terrorismo

São Paulo

A Polícia Federal de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (20) uma operação contra um esquema de contrabando de migrantes africanos para viagens ilegais aos Estados Unidos. Três pessoas foram presas e seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos. 

Segundo a investigação, iniciada em julho do ano passado, o grupo criminoso dava passaportes e vistos brasileiros falsos a pessoas da África Oriental, que vinham para São Paulo e seguiam por via terrestre até a fronteira do México com os EUA.

Migrantes aguardam por entrevista com autoridades migratórias dos EUA em Tijuana, no México
Migrantes aguardam por entrevista com autoridades migratórias dos EUA em Tijuana, no México - Omar Martínez/AFP

Entre os enviados pelo grupo para a América do Norte estão dois somalis suspeitos de terrorismo e que agora estão presos nos EUA. 

Os migrantes se hospedavam em um hotel na região central de São Paulo, tinham seus passaportes retidos pela organização e depois iam até o Acre, de onde atravessavam a fronteira com o Peru para seguir viagem de ônibus, barco, carona e a pé.

“Os indícios apontam que o grupo que agia em São Paulo centralizava e detinha pleno domínio de toda a rota, por meio de contato com outros integrantes em todos os países e continentes envolvidos”, diz um comunicado da PF. 

Foi identificada uma mesquita na cidade onde um dos investigados assediava migrantes e um hotel onde eles eram mantidos.

Também foi descoberto que um dos membros da organização criminosa divulgava em suas redes sociais símbolos e personagens nazistas.

O inquérito policial teve a cooperação internacional com a agência norte-americana de imigração (ICE, agência de imigração e alfândega na sigla em inglês), que avisou à PF que estrangeiros que moravam em São Paulo lideravam essa rede criminosa. 

Os investigados responderão pelos crimes de contrabando de migrantes (qualificado pela submissão a condições desumanas e degradantes), organização criminosa, falsificação de documento público e divulgação do nazismo, com penas de três a oito anos de prisão.

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