Plano para 'reverter socialismo' na Venezuela inclui abertura do setor de energia

Wilbur Ross apresentou o que a gestão Trump considera prioritário para modernizar o país em crise

Ricardo Della Coletta
Brasília

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, apresentou nesta quinta-feira (1º) um plano de reconstrução da Venezuela num cenário pós-Maduro e defendeu medidas que incluem a abertura do mercado de energia daquele país para o setor privado. 

Ross participou, em Brasília, na manhã de quinta, do Latin American Leadership Forum, evento sobre projetos de infraestrutura. 

O secretário americano expôs o que a administração Donald Trump considera prioritário para ajudar a Venezuela caso o regime do ditador Nicolás Maduro chegue ao fim e seja substituído por um governo liderado por Juan Guaidó, que se declarou presidente interino do país em 23 de janeiro. 

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, durante fórum em Brasília
O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, durante fórum em Brasília - Adriano Machado/Reuters

“A infraestrutura da Venezuela tem necessidades bem mais agudas do que qualquer outro país da América Latina devido aos anos de negligência e má administração”, declarou.

Citou como essencial para a reconstrução do país sul-americano, a abertura do setor de energia venezuelano —hoje controlado pelo governo chavista— para empresas privadas. 

“No campo da energia, para efeito imediato, é necessária a liberalização do setor para trazer empresas privadas para a nova lei de hidrocarbonetos que está sendo analisada na Assembleia Nacional”, afirmou, em referência ao órgão controlado pela oposição venezuelana e do qual Guaidó é presidente.

Maduro acusa os Estados Unidos de serem responsáveis pela crise humanitária que ocorre atualmente na Venezuela devido às sanções aplicadas contra o país, que incluem o bloqueio de mais de US$ 30 bilhões em ativos de petróleo no exterior.

O secretário norte-americano citou uma série de deficiências da economia chavista, como a inflação galopante, infraestrutura deficiente, colapso dos serviços públicos e a diáspora de venezuelanos. Ele destacou, no entanto, que os recursos naturais permanecem no país, o que deixa uma porta aberta para a recuperação da economia.   

“A boa notícia é que os mesmos recursos naturais que estavam lá originalmente ainda estão. Eles só precisam ser reabilitados da terrível má administração que ocorreu.” 

Ele disse ainda que, num cenário de mudança de regime, “a necessidade inicial de ajuda será considerável para fazer com que a engrenagem volte a girar”. Por diversas vezes, utilizou o termo “reverter o socialismo” como o objetivo das ações preparadas pela administração Trump.  

“Para colocar em perspectiva: ainda há cerca de 300 bilhões de barris de petróleo lá. Se você os colocar a US$ 5 o barril, isso significa US$ 1,5 trilhão em valor. Temos assim um grande contraste entre uma economia extremamente pouco equipada e enormes valores subterrâneos. Além do petróleo, também há ouro, vocês leram algo sobre isso na imprensa ultimamente”, acrescentou.

O secretário disse também que, com uma eventual troca de poder na Venezuela, os Estados Unidos estão dispostos a remover as sanções que hoje recaem sobre o país para ajudar na recuperação econômica e um possível governo de Guaidó. 

“A Venezuela continuará a deteriorar até que o governo de Juan Guaidó, reconhecido internacionalmente, implemente as reformas econômicas, políticas e sociais necessárias."  

Ross também citou que será necessário colocar em prática um plano de estabilização macroeconômica e de revitalização da agricultura do país vizinho. "Recuperar o crescimento será um processo longo que tem como base os esforços iniciais", disse Ross. 

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