Descrição de chapéu The New York Times

Polícia alemã investiga morte de ave rara que levou a espancamento de assassinos

Agressores estavam bêbados e bateram no animal com uma garrafa

Christopher F. Schuetze
Berlim | The New York Times

​Foi um caso surpreendente para a polícia: uma ave ameaçada de extinção pode ter atacado dois homens numa floresta, os dois homens atacaram a ave e a mataram, e depois uma multidão atacou os dois homens. Menos surpreendente foi o fato de haver álcool envolvido em tudo.

Agora, com o corpo de um tetraz-grande como evidência, as autoridades do sudoeste da Alemanha estão tentando determinar o que aconteceu e decidir se algum dos envolvidos cometeu um crime.

Tetraz-grande, visto na Floresta Negra, na Alemanha
Tetraz-grande, visto na Floresta Negra, na Alemanha - David Palmer

Retornando para casa no sábado depois de assistir a um festival, dois rapazes, ambos embriagados, seguiram por um atalho que passa no meio de um bosque. Segundo a polícia de Titisee-Neusdart, o vilarejo na Floresta Negra onde o incidente ocorreu, eles toparam com a ave e bateram nela com uma garrafa.

Mais tarde, disseram que estavam apenas se defendendo do tetraz-grande, que tem aproximadamente o tamanho de uma galinha grande. Como manda a lei alemã, os dois homens, com 22 e 20 anos de idade, não foram identificados.

Para Christian Sütfeld, guarda florestal voluntário responsável pela área de Feldberg da Floreste Negra, a ave pode ter investido contra os dois rapazes, mas não representaria um perigo real para eles.

“É uma questão territorial: como os cisnes, os tetrazes-grandes protegem o território onde vivem”, explicou. “Mas não representam ameaça à vida de ninguém. Se os homens tivessem recuado, não teria acontecido nada.”

O tetraz-grande é encontrado em abundância em boa parte da Eurásia, mas tornou-se cada vez mais raro na Europa ocidental. Na Alemanha, a ave consta da lista das espécies ameaçadas de extinção.

No passado vista como símbolo das florestas densas do país, além de ser alvo favorito de caçadores, a população da ave vem diminuindo rapidamente em decorrência da perda de habitat, de diversidade vegetal da floresta e do fato de ela se agitar rapidamente quando entra em contato com humanos.

Ainda existem cerca de mil casais de tetrazes-grandes na Alemanha, espalhadas por uma área grande demais para poder garantir a continuidade natural da população. A maior concentração delas é na Floresta Negra, onde ainda se encontram algumas centenas.

“O tetraz-grande é extremamente vulnerável ao estresse e vive tão isolado que deixou de haver qualquer contato entre as aves”, disse Leonie Weltgen, cientista responsável pela conservação natural e a fauna junto à Federação Alemã para o Bem-Estar de Animais.

Dois anos atrás, tetrazes-grandes da Suécia foram levadas ao estado alemão de Turíngia. O objetivo foi elevar o número de aves da espécie no país e ampliar seu pool genético.

“Estas aves são muito resistentes”, comentou o guarda-florestal, chamado ao local do crime pela polícia de Titisee-Neusdadt para examinar o corpo do tetraz. Ele disse que a ave foi espancada com força. “Havia penas faltando de seu peito e pescoço”, explicou. A causa da morte foi pescoço quebrado.

“Acho que foi pura e simples burrice. Não sei por que os dois não perceberam o que estavam fazendo”, comentou.

Mas acrescentou que os dois rapazes filmaram o enfrentamento com o tetraz.

Depois de testemunharem a morte da ave de longe, várias pessoas de um grupo de cerca de dez pessoas deram socos e pontapés nos dois homens, além de derramar cerveja sobre eles, segundo a polícia. O grupo chamou a polícia e deteve os homens até a chegada dos policiais.

Um porta-voz da polícia, Jerry Clark, informou: “Estamos conversando agora com todos os envolvidos para descobrir quantas pessoas participaram ativamente da violência”.

Os dois rapazes tinham passado a tarde no Laurentiusfest, festival famoso da região. Eles voltaram por um atalho de 250 metros que passa pelo meio da floresta, provavelmente passando no meio do território do tetraz-grande.

“Se tivessem seguido a trilha demarcada, nada disso teria acontecido”, comentou Sütfeld.

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