Questionado sobre proximidade, Eduardo diz que já teve 'contatos rápidos' com filhos de Trump

Relação com família do presidente dos EUA é um dos principais motivos citados pelo deputado para ser indicado embaixador

Ricardo Della Coletta
Brasília

Questionado sobre sua proximidade com a família de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que manteve "contatos rápidos" com os filhos do mandatário americano.

O parlamentar, que deve ser indicado em breve por seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, para ocupar o cargo de embaixador do Brasil em Washington, relatou três encontros com os filhos mais velhos de Trump. 

"Eu tive contatos rápidos com dois filhos dele, na verdade três. Com o [Donald] Trump Jr., certa vez na Shot Show, a maior convenção de armas no mundo. Numa outra oportunidade, em Mar-a-Lago [resort de Trump na Flórida], encontrei, também bati uma foto, com o Eric Trump, outro filho dele. E, na visita à Casa Branca, tive a oportunidade de conhecer também a Ivanka", contou Eduardo, numa entrevista exibida nesta sexta-feira (16) pelo SBT. 

Na mesma entrevista, o deputado disse que tem o contato do marido de Ivanka, Jared Kushner, conselheiro do presidente, e que esteve com o mandatário dos EUA em duas ocasiões, na visita oficial de Bolsonaro à Casa Branca em março e na cúpula do G20, no final de junho, no Japão.

A proximidade de Eduardo com Trump e seus familiares é apontada tanto pelo deputado quanto por Bolsonaro como um dos motivos que justificam a sua designação para chefiar a missão brasileira em Washington —o deputado foi elogiado publicamente pelo presidente Trump em duas ocasiões. 

"Ninguém tem mais acesso ao Jair Bolsonaro do que eu. E também conto com uma simpatia do presidente dos EUA", justificou o deputado.

Após formalização da sua indicação, Eduardo ainda precisa passar por uma sabatina no Senado e ter seu nome aprovado em uma votação secreta no plenário da Casa. 

Eduardo Bolsonaro argumentou ainda na entrevista que pretende trabalhar para "reverter a imagem ruim" do Brasil no exterior e que será um "mini-presidente" do país nos EUA. 

"Eu serei um porta-voz do governo Bolsonaro, porque todo embaixador é um representante do presidente. Quando ocorre uma eleição, as pessoas dizem qual rumo o país deve tomar, e o Jair Bolsonaro assumiu um lado na eleição. A população brasileira quer essas mudanças", declarou.

"Um embaixador não pode fazer um juízo contrário àquilo que pediram os brasileiros. Certamente serei um representante do governo, serei um mini-presidente lá nos Estados Unidos, assim como são todos os outros embaixadores nas suas posições", acrescentou.

"Eu quero reverter essa imagem ruim, porque eu vejo que muito dessa imagem é com base em fake news e em comentários inapropriados. Eu acredito que o Jair Bolsonaro está convergindo para aquilo que os brasileiros pediram. É uma política contra a ideologia de gênero, que olha pelo produtor rural e contra o radicalismo ambiental."

O deputado afirmou ainda que está visitando senadores para defender sua aprovação como embaixador e que a intenção de enviar a designação para o Congresso será mantida mesmo se ele avaliar que não há votos suficientes para ser aprovado para a função.

Ele defendeu ainda que o Brasil não deve tomar partido na guerra comercial desencadeada entre EUA e China e que seu grande objetivo à frente da embaixada será "dar um pontapé inicial" na negociação de um acordo comercial do país norte-americano com o Brasil. 

Questionado sobre a política anti-imigração de Trump e as suas consequências sobre a comunidade brasileira que vive de forma irregular nos EUA, Eduardo disse que não cabe ao embaixador de um país estrangeiro "querer dar algum tipo de palpite".

Afirmou que, como embaixador, pode tentar conversar com a administração americana caso se constate algum tipo de injustiça e que, se a situação estiver ruim nos Estados Unidos, há a possibilidade de o brasileiro retornar ao Brasil. 

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