Salvini diz que coalizão é ingovernável e pede novas eleições na Itália

Desavenças entre Liga e 5 Estrelas aumentam, mas premiê pede explicações

Roma | Reuters

O líder do principal partido governista e vice-primeiro-ministro da Itália Matteo Salvini detonou nesta quinta-feira (8) uma crise no país ao declarar a coalizão ingovernável e defender a antecipação das eleições.

O anúncio, que pegou muitos de surpresa, acontece após um período de intensas disputas entre seu partido, a Liga (extrema direita) e seu parceiro de coalizão, o Movimento 5 Estrelas (antissistema), e joga a terceira maior economia da zona do euro em uma maior instabilidade política. 

O vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini, em votação no Parlamento, em Roma - Remo Casilli - 5.ago.19/Reuters

Em nota, Salvini afirmou ter dito ao premiê Giuseppe Conte, que não pertence a nenhum dos dois partidos, que a aliança com o 5 Estrelas entrou em colapso depois de cerca de um ano no poder e que “nós daríamos rapidamente a escolha de volta aos eleitores”. 

O Parlamento italiano está em recesso, mas poderia se reunir na próxima semana para levar adiante os passos necessários para uma nova eleição, afirmou Salvini, em referência ao voto de desconfiança no governo e à renúncia do premiê. 

Em uma breve declaração na TV, Conte afirmou que Salvini deve explicar aos italianos por que quer derrubar o governo e que “a crise que ele detonou”. Conte afirmou que não mais aceitaria os ataques de Salvini contra os ministros e o acusou de fiar-se em “slogans”.

O vice-premiê rebateu as críticas de Conte e afirmou que era o 5 Estrelas quem estava impedindo as políticas de que o país precisa para incentivar sua economia. 

“A Itália não pode mais aturar os ‘nãos’, precisamos de ‘sims’, precisamos desbloquear, construir, trabalhar. Basta, devemos ir às eleições”, afirmou após ato em Pescara. 

As tensões aumentaram na quarta-feira, quando Liga e 5 Estrelas votaram um contra o outro em uma votação no Parlamento sobre o futuro de uma linha de trem de alta velocidade entre a Itália e a França.

A Liga divulgou uma lista de várias áreas em que tem “visões diferentes” das do 5 Estrelas, incluindo infraestrutura, impostos, justiça e relações com a União Europeia. 

Ambos eram fortes adversários antes das eleições de março de 2018, até que formaram sua aliança improvável —que frequentemente tem provocado instabilidades no mercado financeiro e críticas da Comissão Europeia

O 5 Estrelas tem mais assentos no Parlamento que a Liga, mas o partido de Salvini registra mais apoio popular, segundo pesquisas de opinião. 

O presidente Sergio Mattarella é a única pessoa com poderes para dissolver o Parlamento e pode não querer fazê-lo porque o orçamento de 2020 está em fase de elaboração e precisa ser aprovado pelo Parlamento até outubro.

Caso decida não dissolver o Parlamento, Mattarella pode instalar um governo tecnocrata não eleito. 
Luigi di Maio, líder do 5 Estrelas, afirmou que seu partido não teme novas eleições. 

“Estamos prontos, não ligamos para ocupar postos do governo”, afirmou em nota.

Di Maio acusou Salvini de “levar o país na conversa” e que, cedo ou tarde, os italianos se voltariam contra ele. 

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