Twitter e Facebook espalharam desinformação sobre controle de muçulmanos pela China

Redes sociais receberam dinheiro para impulsionar conteúdos publicados pelo governo chinês

São Paulo

As redes sociais Twitter e Facebook promoveram posts em suas redes com mensagens que negavam a existência de áreas de detenção de pessoas e abusos contra os direitos humanos na região de Xinjiang, segundo revelaram os sites Intercept e BuzzFeed News.

De acordo com a ONU e governos de diversos países, a China deteve ao redor de 1 milhão de uigures, a maioria deles muçulmanos, em Xinjiang, região no noroeste do país. 

Mulher uigur (ao centro) em bloqueio na entrada de bazar em Hotan, na região de Xinjiang - Greg Baker - 31.mai.2019/AFP

Além da existência de campos, há também forte monitoramento dos moradores da região, com uso de reconhecimento facial, rastreamento por aplicativos, bloqueios nas ruas e outras tecnologias de controle. O local já foi descrito como uma prisão a céu aberto. 

As publicações impulsionadas (exibidas a mais usuários em troca de pagamentos) eram do jornal estatal Global Times e incluíam textos e vídeos nos quais autoridades chinesas diziam que não há campos de prisioneiros em Xinjiang, mas sim centros de treinamento.

Um dos vídeos mostra pessoas fazendo compras na região e comendo em restaurantes, ao som de piano, para mostrar que a vida segue normal na região. Outro mostra uma senhora chorando de emoção ao receber um kit de remédios do governo.

Há também postagens que relacionam os moradores de Xinjiang ao risco de ataques terroristas. 

Twitter e Facebook anunciaram nesta semana que não vão mais aceitar pagamentos para impulsionar conteúdos publicados por canais estatais de mídia, e citaram a China como responsável por campanhas de desinformação, embora pesquisadores afirmem há anos que o governo do país asiático tem operações sofisticadas nas redes sociais destinadas a influenciar o debate público.

O governo da China reagiu a esta proibição, e disse ter direito a expressar seus pontos de vista

A internet na China é fortemente controlada pelo governo. Há bloqueio a redes sociais ocidentais, como o Twitter e o Facebook, e ao buscador do Google. 

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