Apesar de rica, Califórnia concentra pobreza e vê crise de habitação em Los Angeles

Estado mais rico dos EUA também é o segundo com mais pessoas pobres no país

Fernando Canzian
São Paulo

Se fosse um país, a Califórnia seria a quinta ou a sexta maior economia do mundo, dependendo do critério. Mas o estado mais rico e progressista dos EUA é também o segundo com mais pessoas pobres, atrás somente do pequeno Distrito de Columbia, onde fica a capital, Washington.

Exemplo disso é a crise de habitação pela qual passa o estado, principalmente em seu maior símbolo, Los Angeles. A cidade viu o número de moradores de rua saltar 41% desde 2015, segundo dados da Lahsa (Autoridade de Serviços para os Sem-Teto em Los Angeles).

Desde o anúncio da chamada “Guerra à Pobreza” (War on Poverty) pelo presidente democrata Lyndon B. Johnson em janeiro de 1964, os EUA têm formulado uma série de programas e metodologias sobre a pobreza no país.

Com altos e baixos desde então, o combate ao problema mobiliza de isenções fiscais e ajuda alimentícia a parâmetros cada vez mais sofisticados para aferir quem são e onde estão os pobres americanos.

O mais tradicional é uma antiga linha de pobreza geral que define os elegíveis para receber auxílio via programas federais —renda individual abaixo de US$ 12 mil ao ano (R$ 50 mil) ou de US$ 20,4 mil (R$ 85 mil) para famílias de três pessoas, por exemplo.

Por esse parâmetro, os estados mais pobres são os do Sul, como Mississipi, Alabama e Louisiana. Mas a “régua” oficial mais utilizada para a definição de políticas abrangentes pelos estados é a Supplemental Poverty Measure (SPM), que leva em conta custos como alimentação, transporte e, principalmente, moradia.

Por este parâmetro, 18,2% dos californianos são considerados pobres, só atrás dos 18,4% dos residentes de Washington, a capital americana. A média nacional, pelo mesmo critério, é de 13,2%.

Longe das áreas turísticas normalmente visitadas em Los Angeles e Washington há, além de redutos como o Skid Row (que concentra moradores de rua na cidade californiana), bairros inteiros completamente degradados e violentos. 

Não por acaso, eles são predominantemente habitados por hispânicos ou negros, que são menos escolarizados (e têm piores empregos) que os brancos.

No caso da Califórnia das últimas duas décadas, a pobreza migrou rapidamente do campo para as grandes cidades, e ela não tem necessariamente relação com o desemprego —cerca de 80% das famílias consideradas pobres têm em suas casas pelo menos uma pessoa trabalhando.

O problema tem sido mais relacionado ao nível de rendimentos do trabalho, que afeta o país como um todo.

Segundo o Relatório da Desigualdade Global, da Escola de Economia de Paris, o valor médio dos rendimentos anuais brutos da metade mais pobre nos EUA aumentou apenas US$ 200 (R$ 820) desde 1980, já descontada a inflação.

No mesmo período, a renda média anual dos 10% mais ricos praticamente dobrou.

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