Descrição de chapéu Venezuela

Bachelet acusa ditadura de Maduro de seguir cometendo assassinatos e torturas

Relatório aponta denúncias de que governo realizou 57 execuções em julho; regime nega

Genebra | AFP

Michelle Bachelet, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, denunciou nesta segunda-feira (9) que a ditadura da Venezuela estaria por trás de novos casos de assassinato, tortura e maus-tratos nos últimos meses, apesar de alertas anteriores. 

O novo relatório sobre violações cometidas pelo regime de Nicolás Maduro foi apresentado em sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Michelle Bachelet, alta comissária para direitos humanos da ONU, apresenta relatório em Genebra - Denis Balibouse/Reuters

"Meu escritório continuou documentando casos de possíveis execuções extrajudiciais cometidas por membros das Forças de Ação Especiais da Polícia Nacional —conhecidas como Faes— em alguns bairros do país", afirmou. 

"Apenas no mês de julho, a ONG Monitor de Vítimas identificou 57 novos casos de supostas execuções cometidas por membros da Faes em Caracas", disse a ex-presidente chilena.

Bachelet indicou ainda que o Alto Comissariado documentou casos de "tortura e maus-tratos, tanto físicos como psicológicos, de pessoas arbitrariamente privadas de sua liberdade, em particular de militares".

O relatório aponta também que 83 pessoas, cujas prisões haviam sido consideradas arbitrárias, foram libertadas pelo governo Maduro.

Um primeiro relatório foi apresentado em 4 de julho, no qual Bachelet denunciou a erosão do Estado de direito na Venezuela, advertindo também que as sanções internacionais agravavam a crise no país.

"A situação dos direitos humanos continua afetando milhões de pessoas na Venezuela e com claros impactos desestabilizadores na região", reiterou nesta segunda-feira.

Ela também destacou que a economia venezuelana "atravessa o que poderia ser o episódio hiperinflacionário mais agudo que a América Latina já experimentou".

Bachelet criticou ações recentes como o objetivo de aprovar uma lei na Venezuela que tipifica como crime as atividades das organizações nacionais de direitos humanos que recebem recursos do exterior. 

"Essa lei, se aprovada e aplicada, reduzirá ainda mais o espaço democrático", advertiu a representante da ONU.

Ela também insistiu que as sanções do governo do presidente americano Donald Trump contra o governo de Maduro contribuem para "agravar a situação humanitária" do país.

A Venezuela vive a pior crise em sua história recente, com hiperinflação, desabastecimento de comida, quedas constantes de energia e outros problemas.

Ao menos 3,6 milhões de venezuelanos deixaram o país desde o início de 2016.

Resposta do regime

O número dois do regime chavista, Diosdado Cabello, rejeitou o novo relatório de Bachelet, afirmando que a alta-comissária comete "excessos" contra a Venezuela.

"O que diz a senhora Bachelet não vai tirar nosso sonho de nós, não vamos deixá-la nos chantagear", disse o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, órgão legislativo ligado ao chavismo que esvaziou os poderes da Assembleia Nacional, presidida pelo opositor Juan Guaidó.

Em julho, após a divulgação do primeiro relatório, o ditador Nicolás Maduro acusou o documento de mentiroso e disse que a ex-presidente do Chile havia dado um "passo em falso".

Ele também exigiu retratação e correção pelo que considerou erros contidos no relatório. 

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