Bolsonaro tem que sair para o bem de todos, diz cacique Raoni no Congresso

Líder indígena foi criticado por presidente em discurso na Assembleia Geral da ONU

Danielle Brant
Brasília

Criticado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante discurso na Assembleia Geral da ONU, o cacique Raoni afirmou nesta quarta-feira (25) que o capitão reformado deveria “sair para o bem de todos”.

O líder indígena caiapó foi recebido por deputados de oposição e da frente ambientalista em um ato contra as declarações que Bolsonaro.

Na ONU, o presidente afirmou que o cacique era usado como “peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”.

O cacique Raoni chega na Câmara dos Deputados e é recebido por parlamentares da oposição
O cacique Raoni chega à Câmara dos Deputados e é recebido por parlamentares da oposição - Pedro Ladeira/Folhapress

Raoni, cuja chegada causou confusão na chapelaria da Câmara dos Deputados, rebateu o presidente em pronunciamento traduzido por sua neta Maya.

“O Bolsonaro falou que eu não sou uma liderança. Ele que não é uma liderança e tem que sair”, disse. “Antes que algo de muito ruim aconteça, ele tem que sair para o bem de todos.”

O cacique afirmou lutar pela preservação do meio ambiente e pela luta dos povos indígenas.

Maya, ao fim da declaração do avô, reforçou o reconhecimento de Raoni como uma liderança indígena, fato contestado por Bolsonaro na ONU –o presidente chegou a dizer que “acabou o monopólio do senhor Raoni.”

Megaron, filho do cacique, repudiou as declarações de Bolsonaro e afirmou que o presidente, com suas declarações, acabou promovendo Raoni para o mundo.

Parlamentares da oposição aproveitaram o ato para criticar o discurso na ONU.

Joenia Wapichana (Rede-RR) defendeu a indicação do índio ao prêmio Nobel da paz. “Pelo trabalho e por ter dedicado a vida dele toda em defesa da vida dos povos indígenas da Amazônia, Cerrado, do Sul, do Nordeste, justamente porque nós reconhecemos esta nossa liderança indígena. Esteja onde estiver, no Brasil, em Nova York, em Genebra, é a nossa voz indígena”, afirmou.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) qualificou a fala de Bolsonaro na assembleia como “desastre diplomático e político”.

“É importante que o Parlamento brasileiro o acolha como uma representação autêntica dos povos indígenas, que é como todos nós aqui o acolhemos e o reconhecemos. Nós não reconhecemos lideranças que não representam de fato os povos indígenas”, disse, em referência à decisão do presidente de levar na comitiva à ONU a indígena Ysani Kalapalo.

Jandira disse ainda que em 17 de outubro será realizado em Marabá (PA) o primeiro ato do recém-criado Fórum Permanente de Defesa da Amazônia.

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