China cobra explicações da Alemanha após ministro receber ativista de Hong Kong

Embaixador chinês afirma que encontro com Joshua Wong 'terá consequências negativas'

Berlim | Reuters

Bastou uma foto no Twitter para o governo da China pôr em xeque as relações bilaterais que mantém com a Alemanha.

Nela, o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, posa ao lado do ativista Joshua Wong, um dos líderes do Movimento dos Guarda-Chuvas em Hong Kong.

O ativista Joshua Wong, à esq., posa ao lado do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas - Joshua Wong no Twitter

​Wong chegou a Berlim na noite de segunda (9) e foi recebido pela autoridade alemã.

Nesta quarta (11), o embaixador da Alemanha em Pequim foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores da China para dar explicações —um gesto de protesto dos chineses.

"Infelizmente, o que aconteceu agora, tenho que dizer, terá consequências negativas nas relações bilaterais, e o lado chinês terá que reagir", disse o embaixador chinês Wu Ken.

O diplomata ainda afirmou que a China tem evidências suficientes de que forças estrangeiras intervieram em Hong Kong durante os protestos.

"Não sabemos qual é o objetivo desses políticos. Eles estão realmente preocupados com a liberdade, a democracia e o Estado de Direito em Hong Kong ou querem adicionar combustível ao fogo e, assim, tirar capital político disso?", questionou.

A China também acusa os Estados Unidos e o Reino Unido de fomentar a agitação em Hong Kong. 

Em Berlim, o ativista disse que Hong Kong era um baluarte entre o mundo livre e a "ditadura da China".

Nas redes sociais, Wong publicou e foi marcado em fotos ao lado de alemães que seguravam guarda-chuvas, uma referência a símbolos dos protestos.

Hong Kong, uma ex-colônia britânica, foi devolvida à China em 1997 sob a fórmula "um país, dois sistemas" que garante liberdades não usufruídas na parte continental do país, incluindo um sistema jurídico independente.

A onda de protestos, que se arrasta há três meses, foi motivada por uma legislação que permitiria extradições para a China. Embora o projeto tenha sido oficialmente cancelado, as pautas do movimento se ampliaram. 

A Alemanha é um importante parceiro comercial da China. No primeiro semestre deste ano, o país negociou, em meio à guerra comercial envolvendo os EUA, quase 100 bilhões de euros (R$ 447,8 bilhões) em mercadorias com a China.

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