Franceses fazem fila em Paris para prestar homenagem a Jacques Chirac

Tributo ao ex-presidente, morto na quinta (26), acontece no Palácio dos Inválidos

Paris | AFP

Os franceses fazem fila neste domingo (29) para prestar homenagem a Jacques Chirac, presidente do país de 1995 a 2007, morto aos 86 anos na última quinta-feira.

O tributo popular é organizado no Palácio dos Inválidos, em Paris, na véspera do dia de luto nacional e de uma cerimônia oficial que terá a presença de chefes de Estado.

O pátio do edifício, um monumento que abriga o túmulo de Napoleão, foi aberto ao público às 14h (9h no horário de Brasília). O caixão foi posicionado na entrada da catedral Saint-Louis-des-Invalides.

A morte de Chirac, "o humanista", uma figura mítica da direita francesa que estava doente havia anos e que pouco aparecia em público, comoveu o país.

Desde quinta, cerca de 5.000 franceses, alguns muito jovens, assinaram os livros de condolências no Palácio do Eliseu, onde deixaram elogios e expressaram sua admiração pelo ex-presidente.

Ele será lembrado por sua oposição à guerra do Iraque, em 2003, por ter reconhecido a responsabilidade da França na deportação de judeus durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e por sua frase "nossa casa está queimando", um alerta sobre a situação climática lançado em 2002. 

Segundo uma pesquisa publicada no Journal du Dimanche, Chirac, cuja popularidade não parou de crescer desde que deixou o Eliseu, em 2007, tornou-se o presidente da Quinta República mais amado pelos franceses, empatado com Charles de Gaulle (1959-1969).

Muitos preferem não mencionar os escândalos de corrupção. Em 2011, Chirac se tornou o primeiro ex-presidente francês a ser condenado, a dois anos de prisão, por um caso de funcionários fantasmas na Prefeitura de Paris. Mais tarde, a pena foi suspensa.

O carinho dos franceses se deve mais ao "que era" do que "ao que fez", segundo o jornal conservador Le Figaro.

"Ele se ajustou às contradições de um país", afirmou a publicação, acrescentando que o o ex-presidente "era profundamente francês, com suas virtudes e fraquezas".

Antes de assumir a presidência, foi por duas vezes primeiro-ministro e, durante 18 anos, prefeito de Paris.

Dia de luto

Na segunda (30), dia de luto nacional, uma cerimônia reservada à família será realizada pela manhã, antes das honras militares, com a presença do presidente Emmanuel Macron.

Ao meio-dia, um serviço solene presidido por Macron será realizado na igreja de São Sulpício, em Paris. Cerca de 30 chefes de Estado e de governo são esperados. 

Entre eles, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o russo, Vladimir Putin, o italiano, Sergio Mattarella, e os primeiros-ministros do Líbano, Saad Hariri, e da Hungria, Viktor Orbán.

Também estarão presentes líderes da época em que Chirac esteve no poder, como o ex-chefe de governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder. 

Às 15h, um minuto de silêncio será respeitado em escolas e repartições públicas.

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