Netanyahu é indicado por presidente de Israel para formar governo

Primeiro-ministro pede por coalizão com Azul e Branco, que apresenta restrições

São Paulo e Jerusalém | Reuters

Depois de perder nas urnas para o rival de centro-esquerda Benny Gantz por apenas um assento no Parlamento, Binyamin Netanyahu ganhou nesta quarta (25) a primeira chance para tentar formar o novo governo de Israel.

“Decidi dar a você, senhor, a oportunidade de formar um governo”, disse o presidente israelense, Reuven Rivlin, durante a cerimônia de nomeação.

Netanyahu terá 28 dias para formar um Executivo e pode pedir uma prorrogação de duas semanas. Rivlin, no entanto, deixou claro que não tem o dever de conceder essa extensão.

Caso o primeiro-ministro fracasse, o presidente pode escolher qualquer membro do Parlamento para a tarefa.

O presidente israelense, Reuven Rivlin (à direita), escolhe o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para formar um novo governo, em Jerusalém - Menahem Kahana - 25.set.2019/AFP

A nomeação ocorre após os resultados da eleição do último dia 17, a segunda em Israel em cinco meses, na qual os partidos de Gantz e Netanyahu ficaram emparelhados. O centrista Azul e Branco, de Gantz, conquistou 33 cadeiras, enquanto o direitista Likud, de Netanyahu, obteve 32.

O Likud, no entanto, conta com o apoio de 55 legisladores no Parlamento, que é composto por 120 cadeiras, contra 54 do Azul e Branco.

Nenhuma das duas legendas, portanto, chegou ao número de 61 cadeiras —a maioria do Knesset —o Parlamento israelense.

“As chances de Netanyahu conseguir formar um governo são mais altas neste momento”, afirmou Rivlin.

O presidente acrescentou que os dez parlamentares da Lista Árabe Unida que prometeram apoiar o Azul e Branco não tinham firmado o compromisso de integrar uma gestão sob Gantz. 

A legenda, que se tornou o terceiro maior grupo parlamentar após as últimas eleições e representa a minoria árabe-israelense, se opõe fortemente ao atual premiê. 

Na última segunda (23), Bibi, como é conhecido o primeiro-ministro, e Gantz concordaram em negociar uma coalizão.

Um eventual governo de união nacional foi bem recebido por representantes da política israelense. A iniciativa, entretanto, não vingou.

Durante seu pronunciamento, o premiê se mostrou aberto à possibilidade. “Não poderemos formar um governo a menos que o façamos juntos”, disse ele, em aceno ao Azul e Branco.

Em um movimento inesperado, Netanyahu se dispôs a revezar o cargo de primeiro-ministro com Gantz —num modelo em que cada líder ocuparia o posto por dois anos. 

"É necessário que seja criada uma abertura para o beco político sem saída em que estamos. A responsabilidade de formar um governo é de todos os parlamentares”, afirmou o primeiro-ministro, que pediu celeridade nas negociações.

Após as declarações, Gantz afirmou que seu partido ainda apoia um governo de unidade, mas se recusa a negociar com partidos de ultradireita e ultraortodoxos que tenham fechado com o Likud.

“Do nosso ponto de vista, o correto seria haver negociações entre as duas maiores partes, e somente elas, para chegar a acordos sobre questões essenciais e a disposição do próximo governo.”

Avigdor Lieberman, líder do ultranacionalista Israel Nossa Casa, com oito assentos, poderia compor a aliança, mas a presença dos ultraortodoxos também barra o acordo. 

Durante sua campanha, Gantz prometeu não se aliar a Netanyahu, citando as acusações de corrupção que pesam contra o primeiro-ministro. 

A primeira audiência do caso de Netanyahu ocorrerá no próximo mês. Na ocasião, a Justiça decidirá se aceita as denúncias de corrupção e fraude —ele nega ter cometido qualquer ilegalidade.

Se seguir no cargo, o primeiro-ministro não seria obrigado a renunciar durante o julgamento. No entanto, ele não contaria com essa proteção legal caso ocupe qualquer outro cargo no governo. 

Na primeira eleição deste ano, em abril, o Likud empatou com o Azul e Branco —ambas as legendas receberam 35 assentos. Netanyahu só levou a melhor depois que mais líderes partidários o indicaram para seguir no cargo.

Incapaz de garantir a maioria no Parlamento israelense, Netanyahu se viu obrigado a convocar novas eleições.

Com informações do The Times of Israel

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