Líder supremo do Irã descarta diálogo com EUA após Trump culpar país por ataque

Só haverá conversas caso Washington volte a acordo nuclear que abandonou, diz aiatolá

Dubai e Washington | Reuters

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, descartou nesta terça-feira (17) um diálogo com os Estados Unidos depois de o presidente Donald Trump culpar Teerã pelo ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita que interrompeu metade da produção de petróleo do reino.

Na segunda (16), Trump disse que o Irã parecia estar por trás da ação realizada no fim de semana contra o coração da indústria petrolífera saudita e que resultou no corte de 5% da produção global da commodity. O republicano, no entanto, ressaltou que “não quer guerra com ninguém”. O Irã nega ser o responsável pelos ataques, reivindicados pelos rebeldes

houthis, do Iemên. “Autoridades iranianas de todos os níveis nunca conversarão com autoridades americanas... Isto é parte da política deles para pressionar o Irã”, afirmou o aiatolá, segundo a televisão estatal.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa para um grupo de acadêmicos e estudantes em Teerã
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa para um grupo de acadêmicos e estudantes em Teerã - via Reuters

​Khamenei disse ainda que só pode haver conversas se os EUA voltarem ao acordo nuclear entre Irã e países do Ocidente, do qual o presidente americano se retirou unilateralmente no ano passado.

 
Se até segunda-feira Trump não havia descartado um encontro com o presidente iraniano, Hasan Rowhani, durante a Assembleia Geral da ONU, a partir do próximo dia 24, a possibilidade foi descartada pelo americano nesta terça.

“Não estou buscando um encontro com ele. Não acho que eles estejam prontos ainda, mas eles estarão”, disse Trump. “Eu nunca desconsiderei nada, mas prefiro não encontrá-lo.”

As relações entre os dois países se deterioraram desde então, porque, após a saída do pacto, Washington retomou sanções econômicas contra Teerã, o que sufocou a economia da nação persa. 

Além de um acordo mais duro com o Irã, Trump também quer que o regime pare de apoiar forças regionais que atuariam em seu nome —como o grupo iemenita houthi.

Um dia depois de dizer que os EUA estão “armados e carregados” para reagirem ao ataque contra os sauditas, o presidente americano acrescentou que “não há pressa” para fazê-lo. “Temos muitas opções, mas não estou analisando opções neste momento. Queremos saber com certeza quem fez isto.”

Ainda na segunda-feira (16), a Arábia Saudita, aliada norte-americana nas sanções contra o Irã, afirmou que uma investigação inicial mostrou que o ataque foi realizado com armas iranianas, mas não forneceu provas. Os sauditas se dizem capazes de “reagir vigorosamente”, mas não acusaram Teerã diretamente.

O ataque de sábado foi o pior contra instalações petrolíferas regionais desde que Saddam Hussein incendiou poços de petróleo do Kuwait durante a Guerra do Golfo, em 1991.

Fumaça sai da estação de processamento de petróleo Abqait, na Arábia Saudita - Reuters/Stringer
A ação, que danificou a maior usina de processamento da commodity do mundo, desencadeou a maior alta no preço do barril em décadas. 

De acordo com o ministro de Energia da Arábia Saudita,  príncipe Abdulaziz bin Salman, em entrevista coletiva nesta terça, o país recuperará a produção perdida de petróleo até o final de setembro. 

Ele ainda disse que, utilizando os enormes estoques sauditas de petróleo, já foi possível restaurar os suprimentos para clientes aos níveis em que estavam antes dos ataques. 

De acordo com o ministro,  a produção média em setembro e outubro seria de 9,89 milhões de barris por dia. Assim, a Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo, conseguiria cumprir o fornecimento de petróleo neste mês.

“Suprimentos de petróleo retornarão ao mercado como estavam antes das 3h43 de sábado”, afirmou o príncipe, acrescentando que a Aramco, petrolífera estatal saudita alvo dos ataques, ressurgiu “como uma fênix das cinzas”.

Trump disse que está enviando o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, à Arábia Saudita, mas não assumiu nenhum compromisso de proteger os sauditas.

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