Macron, Lula e outros líderes lamentam morte de Jacques Chirac; veja repercussão

Boris Johnson lembrou o político como 'líder formidável que modelou o destino' da França

São Paulo | AFP

A morte de Jacques Chirac, que presidiu a França entre 1995 e 2007, provocou nesta quinta-feira (26) reações de pesar de diversos líderes mundiais. 

O atual ocupante do Palácio do Eliseu, Emmanuel Macron, disse em pronunciamento à nação que o ex-presidente foi um "homem de Estado que amávamos tanto quanto ele nos amava".

Chirac foi "a marca de uma França independente e orgulhosa, capaz de rejeitar uma intervenção militar injustificada, como quando recusou em 2003 a invasão ao Iraque sem um mandato das Nações Unidas", afirmou Macron.  

"Estadistas com sua visão, capazes de dialogar com líderes de pensamento diferentes em torno de objetivos elevados, como a paz e a cooperação entre países, fazem muita falta no mundo de hoje", publicou o perfil do ex-presidente Lula em uma rede social.

Ele também publicou uma imagem sua ao lado de Chirac, na qual os dois aparecem com expressões felizes. 

Ele também foi descrito como "grande estadista" pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Chirac morreu aos 86 anos de causa não revelada.

"Foi para nós, alemães, um parceiro formidável e um amigo", afirmou no Twitter a porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, cumprimentou "um grande estadista e um grande europeu".

O premiê espanhol, Pedro Sánchez, lembrou que "como primeiro-ministro, prefeito de Paris e presidente da França, se vai um líder que marcou a política europeia".

Antes de se tornar chefe de Estado, Chirac foi duas vezes primeiro-ministro, nas décadas de 1970 e 1980, e prefeito de Paris entre 1977 e 1995. A lei francesa permite a acumulação de cargos.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson lembrou do político como um "líder formidável que modelou o destino" da França.

"A França e a Europa perdem uma grande figura que marcou a história política dessas últimas décadas", disse o primeiro-ministro belga Charles Michel. 

"De Jacques Chirac fica a coragem de ter reconhecido a responsabilidade do Estado francês na deportação de judeus durante a ocupação da França pela Alemanha nazista", entre 1940 e 1944, acrescentou Michel.

O presidente russo Vladimir Putin elogiou um líder "sábio e visionário".

Chirac, que permanecerá na memória de todos como o presidente que se recusou a se aliar aos Estados Unidos na guerra do Iraque em 2003, foi recentemente apontado por Putin como o líder estrangeiro que mais o impressionou.

O ex-presidente francês Jacques Chirac, em foto de 2001 - Charles Platiau/Reuters

À margem do mundo político, o jornalista francês Georges Malbrunot, ex-refém no Iraque, prestou homenagem a Chirac ao enfatizar que "provavelmente lhe devia sua vida". 

Malbrunot, junto com o jornalista francês Christian Chesnot, permaneceu sequestrado no Iraque por 124 dias, de agosto a dezembro de 2004. 

Chirac "permanecerá na história como alguém que, com clarividência, soube dizer não à louca aventura dos Estados Unidos no Iraque em 2003. Pessoalmente, provavelmente lhe devo a vida", tuitou Malbrunot.

O presidente Jair Bolsonaro não se manifestou até o momento. 

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