Parte dos manifestantes de Hong Kong depreda shopping

Para evitar chegada de grande número de manifestantes, autoridades reduziram tráfego ferroviário

Hong Kong | AFP

Os manifestantes pró-democracia de Hong Kong se concentraram neste domingo (22) em um shopping, onde alguns radicais provocaram danos no centro comercial e em uma estação de metrô, mas não conseguiram prejudicar a atividade no aeroporto local.

Por meio de aplicativos de mensagens, os manifestantes convocaram ativistas a "testar" a capacidade de resistência do aeroporto, com ações em seus edifícios, assim como nos acessos por trem e ou rodovia.

Para evitar a chegada de um grande número de manifestantes, as autoridades reduziram o tráfego ferroviário e a circulação de ônibus, ao mesmo tempo que intensificaram os controles policiais.

O aeroporto de Hong Kong —o oitavo mais movimentado do mundo— se tornou um alvo frequente dos manifestantes, que desde junho denunciam o retrocesso das liberdades e a interferência do governo de Pequim nesta região semiautônoma, ex-colônia britânica.

Pelo 16º fim de semana consecutivo, milhares de manifestantes saíram às ruas para protestar e, neste domingo, ocuparam um centro comercial no distrito de Sha Tin, ao norte de Hong Kong, onde cantaram músicas e fizeram origamis.

A situação ficou tensa durante a tarde, quando integrantes de um pequeno grupo radical, com os rostos encapuzados, jogaram em um rio uma bandeira da China que arrancaram de um edifício.

Várias pessoas danificaram as máquinas de venda de bilhetes na estação de metrô de Sha Tin, o que provocou intervenção da polícia, que fechou a estação.

Antes da ação das forças de segurança, canais de TV exibiram imagens de um homem, com cortes no rosto, cercado por manifestantes pró-democracia dentro da estação.

Hong Kong enfrenta a mais grave crise política desde sua devolução à China em 1997, com manifestações e ações quase diárias, incluindo algumas que terminam em confrontos violentos entre manifestantes radicais e as forças de segurança.

No sábado (21), a polícia e os manifestantes se enfrentaram por alguns minutos perto da fronteira com a China. Policiais usaram gás lacrimogêneo e jatos de água contra pequenos grupos, que montaram barricadas e atiraram pedras e coquetéis molotov.

Vários manifestantes foram detidos nos confrontos, menos intensos que os registrados nos fins de semana anteriores.

Ao mesmo tempo, em Washington, três ativistas pró-democracia, Joshua Wong, Denise Ho e Brian Leung, afirmaram no sábado que estão dispostos a seguir com a luta.

Eles afirmaram que Hong Kong se transformou em um "Estado policial", no qual as forças de segurança, comandadas por Pequim, têm apenas o objetivo de reprimir um protesto popular legítimo.

As mensagens que pedem uma greve se multiplicaram na internet. O ato deve acontecer antes de 28 de setembro —data que marca o início da Revolução dos Guarda-Chuvas de 2014— e 1º de outubro, quando a fundação da República da China completa 70 anos.

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