Porta-voz do governo insiste que Bolsonaro está 100% para viajar à ONU

Discurso na Assembleia Geral deve abordar defesa da soberania, meio ambiente e combate à corrupção

Gustavo Uribe Ricardo Della Coletta
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na manhã desta quarta-feira (18) com auxiliares presidenciais para discutir a redação final do discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

O encontro teve as participações dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), nome escolhido pelo presidente para o posto de embaixador nos Estados Unidos.

Segundo relatos feitos à Folha, o texto final deve ter como temas principais a defesa da soberania nacional e do meio ambiente e o compromisso com o combate à corrupção e com o fim de uma relação diplomática com viés ideológico.

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia para sancionar lei que altera o estatuto do desarmamento
O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia para sancionar lei que altera o estatuto do desarmamento - Marcos Corrêa - 17.set.19/Presidência da República

Na tarde desta quarta, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, adiantou alguns pontos do discurso que o presidente pretende realizar na ONU.

"Ele vai apresentar o nosso país e as nossas potencialidades e vai esclarecer de uma vez por todas essas questão Brasil versus meio ambiente. O quanto o Brasil defende o meio ambiente e vem fazendo —não de agora, já há muito— um processo de sustentação ambiental que muitas vezes é desconhecido. Ou por desconhecimento da pessoa ou até por não querer divulgar o que o Brasil vem fazendo em termos de proteção [ambiental]", disse Rêgo Barros. 

O porta-voz também afirmou que Bolsonaro viajará a Nova York, a despeito dos conselhos de alguns aliados, que lhe recomendaram cancelar a agenda internacional para se concentrar em sua recuperação, após mais uma cirurgia.

O próprio porta-voz havia dito recentemente que, na próxima sexta (20), Bolsonaro fará um exame na capital federal para definir se tem condições físicas de fazer uma viagem internacional.

Mas nesta quarta Rêgo Barros se antecipou à análise médica e afirmou que a evolução do estado clínico de Bolsonaro permite afirmar "100%" que o presidente realizará a viagem. 

Apesar da garantia do porta-voz, por recomendação médica, Bolsonaro encurtou o itinerário que faria nos Estados Unidos e cancelou a parada em Dallas, no Texas, onde se reuniria com representantes da área de tecnologia. Ele também desmarcou reuniões bilaterais com chefes estrangeiros.

Na semana passada, antes de ser submetido a uma cirurgia de correção de uma hérnia, o presidente disse que iria à Assembleia Geral da ONU nem que fosse de cadeira de rodas.

Ele, no entanto, tem sido aconselhado por aliados e familiares a desistir do evento.

Além da questão de saúde, o receio é que ele seja hostilizado após a série de queimadas na floresta amazônica e os embates públicos com nações europeias, o que, na avaliação de assessores palacianos, poderia desgastar ainda mais a imagem do governo brasileiro.

A cúpula militar, no entanto, tem opinião diferente e avalia que a presença de Bolsonaro é fundamental para reafirmar a posição do país na questão geopolítica, ainda mais com a expectativa de que o tema seja tratado pelo presidente da França, Emmanuel Macron.

Para essa ala do governo, um discurso do presidente lido pelo chanceler brasileiro não teria o mesmo peso do que um feito por Bolsonaro, que tem polarizado o debate com o francês e teria mais autoridade para rebater argumentos.

Na terça-feira (17), congressistas que participaram de solenidade no Palácio do Alvorada disseram que o presidente está com aspecto abatido e cansado.

Ele recebeu nesta quarta-feira (18) a visita do médico da Presidência da República, Roberto Camarinha.

"Tudo bem com meu pai. Está no Palácio da Alvorada reunido com pessoas de sua confiança, desenvolvendo a feitura do discurso que o Brasil fará na ONU", escreveu o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) nas redes sociais.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.