Na Colômbia, temor de eventual conflito com Venezuela é grande

Apesar disso, mais de 70% dos colombianos aprovam acolhida a refugiados do país vizinho

Sylvia Colombo
Bogotá

Nas ruas de Bogotá, Cartagena, Medellín ou outros grandes centros urbanos, a quantidade de venezuelanos é imensa.

Eles trabalham no comércio, em restaurantes, estudam nas universidades, fazem entregas ou dirigem táxis por meio de aplicativos como Rappi e Uber. 

Os sotaques se confundem, assim como os cheiros dos restaurantes, nos quais as arepas colombianas disputam as vendas com as venezuelanas.

Sapatos de migrantes venezuelanos são expostos na Plaza Bolívar, no centro de Bogotá, como parte de uma campanha contra a xenofobia em 13 de setembro - Raul Arboleda/AFP

Em geral, mais de 70% da população aprova a acolhida aos refugiados da crise humanitária da ditadura no país vizinho. Ainda assim, o temor de um eventual conflito armado com a Venezuela é grande.

“O que este homem está fazendo, onde vai nos levar? Votei nele, mas não o elegi para nos levar a uma guerra com a Venezuela”, disse o engenheiro Gonzalo Grillo, 47, que assistia ao discurso do presidente colombiano Iván Duque na ONU, em um café de Bogotá.

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU em Nova York, na quinta-feira (26), Duque fez um discurso cheio de provocações a Nicolás Maduro. Também apresentou um dossiê —que depois entregou a António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas—, sobre os abusos de direitos humanos na Venezuela. Duque acusou o país vizinho de dar abrigo e apoio a guerrilheiros colombianos

Mas apoiadores do Centro Democrático, o partido de Duque, creem que o caminho do confronto, interno e externo, é o único a seguir. 

Para o dono de um restaurante italiano em Cartagena, que emprega apenas funcionários venezuelanos, Duque não tem opção —o presidente tem de unir o país em torno da causa e “vencer os delinquentes dentro do país e Maduro fora”.

Ele não duvida que o ditador venezuelano possa invadir a Colômbia. “Se temos o oitavo maior Exército do mundo, vamos em frente com isso e acabar com esses delinquentes. Faço isso [emprego venezuelanos] para ajudar, para amenizar os problemas que temos. Mas Duque precisa ter mais coragem e fazer a parte dele.”


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