Paris tem dia de caos por greve nos transportes contra reforma da previdência

Cidade ficou sem metrô nem ônibus nesta sexta-feira (13)

Paris | AFP

Funcionários do metrô e do sistema de ônibus de Paris entraram em greve nesta sexta-feira (13), gerando caos na cidade. É a maior paralisação do tipo em 12 anos. 

Dez das 16 linhas do metrô da capital francesa foram fechadas, e as demais ficaram lotadas.

Os ônibus circulavam em número reduzido, e os grandes engarrafamentos nos acessos à capital evidenciavam o primeiro grande protesto sindical contra a reforma das aposentadorias defendida pelo governo do presidente Emmanuel Macron.

Metrô passa perto da torre Eiffel, em Paris - Christian Hartmann/Reuters

Dié Sokhonadu, 25, esperou em vão em uma plataforma da linha 12, que atravessa Paris de norte a sul, mas nenhum trem passou.

"Sem metrô, terei que voltar para casa", disse o operário, que atua na reforma da catedral de Notre-Dame, no centro de Paris.

Para evitar transtornos, muitos franceses optaram por trabalhar em casa. "Não queria perder tempo tentando pegar o metrô, minha linha está fechada", declarou Anne-Sophie Viger, executiva em uma empresa de seguros.

A RATP (Autoridade Autônoma de Transportes de Paris) pediu na quinta-feira aos moradores que saíssem de casa apenas em caso de extrema necessidade e ofereceu soluções alternativas, que incluem o uso gratuito de motos ou bicicletas elétricas compartilhadas, subsídios a quem compartilhar o carro ou estacionamento pela metade do preço.

As pessoas também procuravam as bicicletas e os patinetes elétricos que proliferam na capital francesa.

Vários operadores, como o Jump, da Uber, ou a francesa Cityscoot, ofereceram trajetos gratuitos de 15 a 30 minutos.

Estação de metrô lotada durante greve em Paris - Christian Hartmann/Reuters

A reforma da previdência é uma promessa de campanha de Macron, que se comprometeu a eliminar os 43 distintos regimes especiais e a criar um sistema universal com o uso de pontos, no qual "um euro de contribuição concede os mesmos direitos". 

Os funcionários do metrô de Paris, assim como os trabalhadores de outras atividades consideradas difíceis ou perigosas, perderiam os benefícios dos regimes especiais, que atualmente permitem que eles se aposentem antes dos demais franceses. 

O Tribunal de Contas francês calculou que a idade média de aposentadoria dos trabalhadores da RATP em 2017 foi de 55,7 anos, contra 63 anos da maioria dos franceses. 

"Não é uma greve de privilegiados, esta é uma greve de trabalhadores que afirmam 'queremos nos aposentar com uma idade razoável e em condições razoáveis'", declarou à rádio FranceInfo Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, um dos principais sindicatos da França.

A greve é a maior no setor de transportes de Paris desde 2007, quando o ex-presidente Nicolas Sarkozy apresentou uma proposta de reforma previdenciária que aumentou a idade de aposentadoria da maioria dos funcionários públicos. 

"Estou na RATP desde 1996 e nunca vi algo assim. Tantos grevistas, de todas as áreas, e inclusive alguns diretores mobilizados. As pensões afetam todos", declarou ao jornal Le Parisien Marc Brillaud, do sindicato SUD.

Diante do projeto potencialmente explosivo, o governo quer enfrentar a situação com calma.

"Levaremos todo o tempo necessário para abordar a reforma das aposentadorias antes de uma votação prevista para 2020", afirmou o primeiro-ministro Édouard Philippe.

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