Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Tradicional fabricante de armas, Colt não produzirá mais fuzis AR-15 para civis

Mudança ocorre em um momento em que a indústria americana está sob pressão

Alexander Gladstone
The Wall Street Journal

A fabricante de armas Colt Defense LLC anunciou que deixará de produzir fuzis semiautomáticos para civis. A motivação seria a saturação do mercado.

A empresa, cuja história remonta à década de 1830, é conhecida por seu fuzil de marca registrada, o AR-15, disponível para civis.

Mulher segura uma fuzil semi-automático do modelo AR-15 em Springville, Utah, nos Estados Unidos - George Frey/AFP

Os fuzis AR-15 foram usados em muitos dos tiroteios em massa mais letais, incluindo os ataques a um concerto de música country em Las Vegas, em 2017, e a uma escola de ensino médio em Parkland, na Flórida, em 2018.

"O mercado de fuzis esportivos modernos passou por uma saturação significativa de capacidade de fabricação nos últimos anos”, disse o diretor-executivo Dennis Veilleux, em um comunicado nesta quinta (19). "Em virtude desse nível de capacidade de produção, acreditamos que a oferta será adequada para o futuro próximo."

A empresa, sediada em West Hartford, no estado de Connecticut, disse que continuará fabricando seus fuzis para as forças armadas e para a polícia. Segundo a Colt, esses contratos estão absorvendo toda a atual capacidade de fabricação. O fornecimento de revólveres e pistolas aos consumidores não será descontinuado. 

A mudança ocorre em um momento em que a indústria de armas está sob pressão. Nos últimos meses, o Walmart Inc. e a Dick's Sporting Goods Inc. pararam de vender os AR-15 e similares e impuseram outras restrições às vendas de armas e munições, como o aumento da idade mínima de compra para 21 anos em suas lojas.

 

As ações das fabricantes de armas Sturm, Ruger & Co., Vista Outdoor Inc. e American Outdoor Brands Corp. sofreram uma queda de 1% ou mais nesta quinta. 

Diversos deputados do Partido Democrata pediram a proibição da venda de fuzis estilo AR-15 e de outras armas semiautomáticas.

Um grupo bipartidário de senadores dos EUA se reuniu recentemente com o presidente Donald Trump para discutir a expansão da verificação de antecedentes durante a venda de armas, informou o Wall Street Journal. Em entrevista à Fox News nesta quinta, no entanto, Trump disse que as negociações estão ocorrendo de forma muito lenta.

"Não, não vamos mudar nada por enquanto. Estamos indo muito devagar, porque queremos ter certeza de fazer o que é certo”, disse o presidente americano. "Estamos trabalhando com os democratas e com os republicanos."

As vendas de fuzis aumentaram em 2015 e 2016 depois que pesquisas mostraram que Hillary Clinton provavelmente venceria as eleições. Desde então, as vendas diminuíram, já que os compradores de armas não estão preocupados que o governo Trump e o Senado, controlado pelo Partido Republicano, aprovem uma reforma significativa.

Outros fabricantes de armas disseram que o segmento de fuzis semiautomáticos foi afetado pelo excesso de oferta. "Vimos muita pressão de baixa sobre os preços. Ainda há muita demanda no mundo dos rifles automáticos”, disse o diretor-executivo da Sturm, Ruger & Co., Chris Killoy, em uma teleconferência para divulgar o balanço em agosto.

A Colt entrou com pedido de proteção contra falência em 2015, citando a perda de negócios militares importantes e uma sobrecarga de dívida. A empresa conseguiu sair do estado recuperação judicial no ano seguinte.

 

Tradução por AG Fox

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