Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Trump pressionou presidente da Ucrânia para investigar filho de Joe Biden

Conversas teriam ocorrido semanas antes de o governo dos EUA começar a rever ajuda externa ao país

Alan Cullison, Rebecca Ballhaus e Dustin Volz | The Wall Street Journal

Em um telefonema em julho, o presidente Donald Trump pressionou cerca de oito vezes o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para que investigasse o filho do pré-candidato presidencial democrata Joe Biden

Trump pediu a Zelenski que trabalhasse numa investigação com Rudolph Giuliani, seu advogado pessoal, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante conferência de imprensa nesta sexta (20), na Casa Branca, em Washington - Alex Edelman/AFP

"Trump disse a ele que deveria trabalhar junto [a Rudy Giuliani] sobre Biden, e que as pessoas em Washington queriam saber" se as denúncias eram verdadeiras ou não, disse uma delas.

Trump não mencionou uma provisão de ajuda estrangeira à Ucrânia na ligação, segundo a fonte —que afirma não acreditar que Trump tenha oferecido ao presidente ucraniano qualquer contrapartida por sua cooperação em uma investigação.

Giuliani se reuniu em junho e agosto com as principais autoridades ucranianas sobre a perspectiva de uma investigação, disse ele em entrevista. 

O advogado de Trump sugeriu que Biden, como vice-presidente, trabalhou para proteger uma empresa de gás ucraniana ligada a seu filho, Hunter Biden, de uma investigação. 

Uma autoridade ucraniana disse, no início deste ano, que não tinha evidências de irregularidades cometidas por Biden ou seu filho.

Após a ligação de julho entre os líderes, o governo ucraniano disse que Trump felicitou o novo presidente por sua eleição e expressou esperança de que seu governo avance nas investigações de corrupção que desestimularam as relações entre os dois países.

A Casa Branca se recusou a comentar o caso. A campanha de Biden não respondeu a um pedido de comentário. 

Na semana passada, um porta-voz da campanha do democrata comentou os esforços de Giuliani para pressionar a Ucrânia: "Isso está abaixo de nós como americanos".

Nesta sexta (20), Trump defendeu sua ligação com Zelenski como "totalmente apropriada", mas se recusou a dizer se havia pedido ao líder ucraniano que investigasse Biden, ex-vice-presidente dos EUA durante os mandatos de Barack Obama. "Não importa o que eu falei", disse ele.

Trump reiterou seu pedido de uma investigação sobre os esforços de Biden como vice-presidente para depor o procurador-geral da Ucrânia. "Alguém deveria investigar isso", disse ele a repórteres.

Nos últimos meses, Giuliani montou um grande esforço para pressionar a Ucrânia. Ele disse ao Wall Street Journal que se encontrou com um funcionário do gabinete do promotor-geral ucraniano em junho, em Paris, e também com Andriy Yermak, um dos principais assessores de Zelenski, no mês de agosto, em Madri.

No início deste mês, Giuliani também disse ao jornal que Yermak garantiu que o governo ucraniano "iria a fundo" na questão de Biden.

A reunião de agosto ocorreu semanas antes de o governo Trump começar a rever a posição de US$ 250 milhões (R$ 1,03 bilhões) em ajuda externa à Ucrânia, que o governo divulgou no início de setembro.

Giuliani disse que não estava ciente do problema com as verbas para a Ucrânia no momento da reunião.

O advogado de Trump afirmou que sua reunião com Yermak foi marcada pelo Departamento de Estado, que foi informado sobre o teor da conversa posteriormente. O Departamento de Estado não fez comentários até a conclusão desta reportagem.

As interações entre o presidente Trump, Giuliani e a Ucrânia estão sob escrutínio após uma denúncia de um informante que, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, envolve as comunicações do presidente com um líder estrangeiro.

A denúncia, que segundo o jornal Washington Post se concentra na Ucrânia, provocou um novo impasse entre o Congresso e o Poder Executivo.

Separadamente, os parlamentares estão investigando se o presidente ou seu advogado tentaram pressionar o governo ucraniano a realizar investigações na esperança de beneficiar a candidatura de Trump à reeleição.

O pré-candidato à presidência dos Estados Unidos Joe Biden exigiu, nesta sexta, que o presidente Donald Trump divulgue a transcrição da conversa telefônica com Volodimir Zelenski na qual teria pedido a abertura de uma investigação contra seu filho.

"Uma corrupção tão clara danifica e diminui as instituições governamentais ao convertê-las em ferramentas pessoais de vingança política", afirmou Biden através de um comunicado. ​

Ele também exigiu que o diretor nacional de inteligência "pare de obstruir" e revele ao Congresso a denúncia secreta sobre essa ligação.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.