Avesso a peixe cru, Bolsonaro come pouco em banquete imperial e recorre a macarrão instantâneo

Item obrigatório nas viagens do presidente, alimento tem sido opção em viagem ao continente asiático

Gustavo Uribe
Tóquio

Em périplos internacionais, um item não costuma faltar nas dezenas de bagagens transportadas pela comitiva do presidente Jair Bolsonaro. E, na viagem de mais de dez dias pelo continente asiático, ele se tornou indispensável.

Avesso a comida crua, o presidente faz questão de estar sempre munido de pacotes de macarrão instantâneo. Segundo assessores presidenciais, os sabores pizza e churrasco são seus favoritos.

O presidente Jair Bolsonaro conversa com a imprensa após cerimônia de entronização do imperador Naruhito, no Palácio Imperial - José Dias/PR

Na segunda-feira (21), primeiro dia da viagem a Tóquio, uma das cidades com maior número de restaurantes premiados no mundo, Bolsonaro brincou que não comeria carne no país devido às restrições à entrada da proteína brasileira no Japão, que tem preferência pela australiana.

Após uma caminhada pela rua considerada o coração da cultura pop japonesa, no entanto, o presidente não teve saída. Sem comer sushi ou sashimi, foi parar em uma hamburgueria de origem norte-americana.

"Peixe só se for frito", disse. "Não gosto da comida à base de peixe, sem ser peixe frito ou ensopado."

Na terça-feira (22), Bolsonaro foi convidado de honra em banquete oferecido pelo novo imperador japonês, Naruhito, para o qual foram cerca de 2.000 pessoas, entre monarcas e autoridades estrangeiras.

Com cardápio real baseado em peixes e moluscos, não deu outra. Ele acabou recorrendo ao macarrão instantâneo, que foi preparado por um auxiliar presidencial no hotel em que a comitiva brasileira está hospedada.

"Não comi nada ontem. Eu acho que comi 5% do que pintou na mesa ali. E não tinha baiacu ou tambaqui", disse. "Nós fizemos ontem ali [macarrão instantâneo]. O cozinheiro é cada dia um, às vezes sou eu também."

Sem falar inglês, o presidente brincou que, no banquete imperial, conversou com autoridades que falam português e espanhol, como o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, e a rainha da Holanda, Máxima Cerruti, que nasceu na Argentina.

Nesta quarta-feira (23), o presidente participará de um outro jantar, desta vez oferecido pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe. Ele já avisou, no entanto, que recorrerá novamente ao item indispensável.

"Trouxe de novo [macarrão instantâneo ao Japão]. Se você quiser jantar comigo hoje", disse o presidente, fazendo um convite à Folha.

Horas depois, no entanto, um assessor do Palácio do Planalto informou que, devido à agenda apertada, Bolsonaro teve de desmarcar o "jantar informal", mas que haverá "outras oportunidades".

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