Descrição de chapéu Governo Trump

Bares de Washington criam drinques para celebrar impeachment de Trump

Estabelecimentos da capital preparam cardápios especiais para acompanhar depoimentos no Congresso

Marina Dias
Washington

O impeachment não tem gosto ruim apenas para Donald Trump

Quando o copo foi preenchido com uma dose de vodca sabor pêssego, licor de mesma nota, um gole de suco de laranja e um jato de refrigerante de limão, a reportagem da Folha sabia que teria um problema. 

Ou, como prefere o nome do coquetel: "99 problemas —mas o impeachment não é um deles".

O presidente dos EUA, Donald Trump, toma um gole de uma bebida ao lado do primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, durante visita oficial a Washington - Alex Edelman - 20.set.2019/AFP

O bom humor do Union Pub reflete a disposição de bares e restaurantes de Washington em preparar cardápios e eventos especiais durante o processo contra o presidente dos Estados Unidos.

Desde a semana passada, quando a chefe da Câmara, Nancy Pelosi, anunciou a abertura de um inquérito de impeachment contra Trump, estabelecimentos começaram a criar bebidas com base em pêssego (peach, em inglês) e, assim, fazer barulho —e dinheiro— com a palavra da moda na política americana.

Em frente à sede da Heritage Foundation, um dos principais think tanks conservadores dos EUA, o Union Pub oferece ainda uma segunda opção de coquetel, este intitulado "impeachment, por favor", que leva angostura e um bitter de laranja na tentativa de conferir algum amargo à bebida quase tão intragável quanto a primeira.

O bar também fica nas imediações do Congresso e costuma encher no fim da tarde em dias de semana, com mesas compartilhadas diante de 13 aparelhos de TV.

Na quarta-feira (2), véspera do primeiro depoimento do processo de impeachment na Câmara, as telas mostravam jogos de rúgbi, hóquei e filmes de ação.

No dia seguinte, seguiram assim enquanto Kurt Volker, ex-enviado especial americano à Ucrânia, testemunhou aos deputados a portas fechadas, sem transmissão ao vivo pelas emissoras americanas.

Quando o processo engrenar, o objetivo do Union Pub é sintonizar as sessões mais importantes do Congresso e regá-las com drinques que podem ser provados a US$ 9 (R$ 36) cada um.

A três quilômetros dali, no centro de Washington, a gerente do Logan Tavern, Carly Hudson, afirma que será preciso mais uma ou duas semanas para divulgar as receitas que o restaurante está bolando para o impeachment.

"Precisamos saber como será o calendário de audiências e os detalhes do processo para marcarmos os eventos. Temos telão, vamos fazer happy hour estendido, drinques e comidas especiais, brincando com as palavras", afirma ela, indicando que —atenção— vem mais pêssego por aí.

A administração Trump tem feito com que os bares de Washington, conhecidos por transmissões esportivas, mudem de canal não só em noite de debates de candidatos ou eleição —eventos com mais apelo à população no geral.

Em 2017, por exemplo, a Shaw's Tavern viu formar fila à sua porta na manhã do depoimento do ex-diretor do FBI James Comey. As pessoas foram ao bar comer ovos enquanto assistiam à sessão pela TV.

As declarações de Comey faziam parte da investigação do então procurador-especial Robert Mueller sobre a interferência russa nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A apuração rendeu trocadilhos para uma versão do tradicional drinque moscow mule —​moscow mueller—, mas nada além disso, já que Trump não foi processado nesse caso.

A Shaw's Tavern ainda avalia repetir os eventos temáticos durante o impeachment.

Em versões passadas, o Union Pub chegou a prometer rodadas de bebida grátis cada vez que Trump tuitasse durante um depoimento relacionado ao inquérito de Mueller.

Tomara que, desta vez, a ideia não se repita com os intragáveis drinques de pêssego.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.