Descrição de chapéu Diplomacia Brasileira

Bolsonaro lamenta eleição de Fernández e diz que não vai cumprimentar argentino

Para brasileiro, se peronista afetar acordo do Mercosul com UE, solução pode ser afastar Argentina do bloco

Ana Estela de Sousa Pinto
Abu Dhabi

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta segunda (28) que não vai cumprimentar o peronista Alberto Fernández, eleito presidente da Argentina em 1º turno neste domingo.

Com 96,22% das urnas apuradas, o opositor havia conquistado 48,03% dos votos contra 40,44% do atual presidente, Maurício Macri.

Fernandéz encabeçou a chapa que tem como candidata a vice a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner.

Jair Bolsonaro discursa no Fórum de Negócios dos Emirados Árabes Unidos-Brasil em Abu Dhabi - Satish Kumar - 27.out.19

"Não pretendo parabenizá-lo. Agora não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver qual a posição real dele na política. Porque ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo, e vamos ver qual linha que ele vai adotar."

A declaração foi feita na partida dos Emirados Árabes Unidos, onde o presidente esteve desde sábado (26).

Bolsonaro disse lamentar o resultado das eleições. "Lamento. Não tenho bola de cristal, mas acho que a Argentina escolheu mal. O primeiro ato do Fernández foi já Lula Livre, dizendo que ele está preso injustamente. Já disse a que veio."

Também não há, no momento, expectativa de manifestação do Itamaraty, segundo Bolsonaro.

Ele disse que vai esperar os resultados finais das eleições e conversar com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para decidir o que fazer.

Sobre o Mercosul, disse que "por enquanto continua tudo bem".

Em julho, Fernández havia dito que reveria o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, caso o pacto representasse desindustrialização para o país.

"Vamos esperar agora que banho de realidade ele vai ter", afirmou Bolsonaro, dizendo que empresas já estão retirando investimentos do país vizinho.

O presidente brasileiro descartou, porém, a possibilidade de o Brasil deixar o Mercosul, como havia cogitado anteriormente. Em vez disso, falou em "afastar a Argentina" se a eleição do peronista afetar o acordo entre os blocos.

"Não digo que sairemos do Mercosul, mas podemos juntar ali com o Paraguai, não sei o que vai acontecer nas eleições do Uruguai, e decidirmos se a Argentina fere alguma cláusula do acordo ou não. Se ferir, podemos afastar a Argentina. Mas a gente espera que nada disso seja necessário. Que a Argentina não queira, na questão comercial, mudar seu rumo."

Segundo ele, a vitória do opositor se deve ao fato de que reformas feitas por Macri não tiveram os resultados esperados. "Agora, a Argentina colocou no poder quem colocou a Argentina no buraco lá atrás", disse.

Aliado de Bolsonaro, o presidente chileno Sebástian Piñera parabenizou Fernández.

"Felicito-o por seu grande triunfo e estou seguro de que trabalharemos com vontade, força e visão de futuro em favor do bem-estar de nossos povos e da integração sul-americana", publicou o político de centro-direita, em uma rede social. 


Quem parabenizou Alberto Fernández pela vitória

Sebastían Piñera, Chile
Martín Vizcarra, Peru
Evo Morales, Bolívia
Miguel Díaz-Canel, Cuba
Nayib Bukele, El Salvador
Juan Orlando 
Pedro Sánchez, da Espanha 
Hernández, Honduras
Andrés Manuel López Obrador, México
Laurentino Cortizo, Panamá
Mario Abdo, Paraguai
Martín Vizcarra, Peru
Nicolás Maduro, Venezuela
Governo do Uruguai
Edward Prado, embaixador dos EUA na Argentina

Diferenças do cargo de vice-presidente do Brasil e da Argentina 
O vice argentino não apenas assume o lugar do presidente temporariamente ou de forma permanente. Ele também preside o Senado e tem poder de voto em decisões legislativas. 

Vices poderosos 
Na história argentina, 9 vices viraram presidentes. Entre eles estão Maria Estela Martínez de Perón, conhecida como Isabelita Perón, que assumiu após a morte do marido, em 1974, e Eduardo Duhalde, que perdeu a eleição à presidência em 1999, mas assumiu, designado pelo Congresso, após a renúncia de De La Rúa, em 2001

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