Erdogan ameaça 'esmagar a cabeça' dos curdos se descumprirem acordo

Forças curdas na Síria, porém, afirmam que Turquia sabota cessar-fogo e impede retirada de tropas

Ancara (Turquia) | AFP e Reuters

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou neste sábado (19) “esmagar a cabeça” das forças curdas se elas não se retirarem da zona de fronteira entre Síria e Turquia dentro do prazo determinado pelo acordo fechado entre Ancara e o governo dos EUA.

Se eles não tiverem saído, “no minuto seguinte” ao prazo do cessar-fogo, que vence na terça-feira (22) à noite, “prosseguiremos com a operação militar e vamos continuar esmagando a cabeça dos terroristas” curdos, disse Erdogan em discurso.

Após reunião com o vice-presidente americano, Mike Pence, na quinta-feira (17), a Turquia aceitou suspender por cinco dias sua operação militar no norte da Síria.

Em troca, as forças curdas deveriam se retirar da chamada zona de segurança na fronteira.

No entanto, a Turquia entende que a área de segurança se estende ao longo de 440 km da fronteira, enquanto os EUA e os curdos afirmam que a retirada deve se dar apenas da área onde os turcos estão atualmente, entre Tal Abyad e Ras al-Ain.

Mazlum Kobani Abdi, comandante da SDF, forças lideradas pelos curdos que tinham o apoio dos EUA, afirmou no sábado que a Turquia está sabotando o acordo ao impedir a retirada das forças curdas da zona de segurança.

Fogo e fumaça na cidade síria de Ras al-Ain, que foi invadida por forças da Turquia e milícia árabes apoiadas por Ancara
Fogo e fumaça na cidade síria de Ras al-Ain, que foi invadida por forças da Turquia e milícia árabes apoiadas por Ancara - Ozan Kose - 18.out.19/AFP

A Turquia considera as forças curdas terroristas por causa da ligação com o PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que trava uma guerrilha contra o governo turco.

No sábado, o frágil cessar-fogo estava se mantendo na fronteira, segundo jornalistas da Reuters.

O acordo tem como objetivo resolver a crise humanitária instalada desde que tropas turcas e milícias árabes apoiadas pela Turquia invadiram a Síria e atacaram as forças curdas, no dia 9 de outubro.

Cerca de 200 mil pessoas já fugiram das áreas curdas na Síria. Também há preocupação sobre os milhares de militantes do Estado Islâmico (EI) que estão encarcerados em prisões administradas pelos curdos.

A invasão turca foi desencadeada pela decisão abrupta do presidente americano, Donald Trump, de retirar as tropas americanas da Síria, onde elas atuavam em conjunto com os curdos, que lutaram por anos contra o EI.

Após serem abandonados pelos EUA, os curdos fizeram um acordo com o regime do ditador Bashar al-Assad, e tropas sírias ocuparam áreas anteriormente patrulhadas por americanos.

 Erdogan afirmou que irá discutir a questão na fronteira na terça-feira (22), em encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em Sochi, na Rússia.

"Em certas áreas de nossa operação, forças do regime sírio, protegidas pela Rússia, estão atuando. Vou discutir isso com Putin, precisamos achar uma solução”, disse o presidente turco.

Erdogan e Putin são aliados e cooperam em várias questões de defesa e energia, mas Moscou afirmou que a ofensiva turca na Síria é “inaceitável” e deve ser limitada.

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