Hackers ligados ao Irã tentaram atacar campanha à reeleição de Trump

Diretor de comunicação do republicano nega que servidores tenham sido alvos de ataques

São Paulo | Reuters

Um grupo hacker ligado ao regime iraniano tentou invadir computadores usados pela campanha à reeleição do presidente americano, Donald Trump, mas não foi bem-sucedido.

A empresa de tecnologia Microsoft afirmou nesta sexta-feira (4) que detectou quantidade significativa de ações do grupo contra "uma eleição presidencial nos Estados Unidos", sem dar maiores detalhes.

Segundo a companhia, os ataques atingiram também atuais e ex-funcionários do governo americano, jornalistas que cobrem política internacional e figuras iranianas proeminentes que não vivem no Irã.

Trump é o único dos atuais pré-candidatos a ter seu site oficial de campanha ligado ao serviço de email na nuvem da Microsoft, de acordo com uma inspeção de arquivos públicos de servidores de emails. 

Logo da Microsoft
Microsoft detectou atividade de grupo hacker - Sergio Perez - 24.set.19/Reuters

O diretor de comunicação da campanha do republicano, Tim Murtaugh, disse que não há "evidências de que nossa infraestrutura tenha sido alvo de ataques". 

Durante um período de 30 dias entre agosto e setembro, o grupo hacker, chamado de Phosphorous pela firma americana, realizou mais de 2.700 tentativas de identificar contas de usuários da Microsoft por meio de opções de recuperação de contas e definição de novas senhas. Depois, atacou 241 desses perfis. ​

"Quatro contas foram comprometidas como resultado dessas tentativas. Elas não estavam associadas à campanha presidencial ou a atuais e ex-funcionários do governo americano", afirmou a Microsoft em um comunicado divulgado nesta sexta. 

O diretor da divisão de segurança eleitoral do Departamento de Segurança Doméstica, Chris Krebs, afirmou que o episódio traz à tona "ainda mais evidências de que nossos adversários querem abalar nossas instituições democráticas".

Servidores usados pela campanha da democrata Hillary Clinton, adversária de Trump em 2016, foram hackeados, e seus emails divulgados em outubro daquele ano, semanas antes da votação. 

As grandes empresas de tecnologia estão sob pressão para aumentar seus controles de segurança para as eleições americanas de 2020 e as de outros países. O Facebook, a Alphabet (dona do Google), o Twitter e a própria Microsoft se reuniram com agências de inteligência dos EUA no início de setembro para discutir estratégias de segurança.

Ciberataques envolvendo campanhas eleitorais se tornaram uma questão sensível para vários países, principalmente após agências de inteligência dos EUA concluírem que a Rússia realizou uma ação hacker para favorecer Trump, então candidato à Presidência, no pleito de 2016.

Moscou nega ter interferido nas eleições. 

As tensões entre EUA e Irã vêm crescendo desde maio de 2018, quando Trump retirou o país do acordo nuclear firmado com Teerã e potências europeias. O documento previa limites às atividades nucleares do país persa em troca da suspensão de parte das sanções econômicas impostas ao Irã.

O governo iraniano não se manifestou sobre o comunicado da Microsoft.

Os ataques agora revelados não tinham um alto nível de sofisticação, segundo a empresa de tecnologia, e os hackers teriam usado uma grande quantidade de dados pessoais para conduzir as ações.

"Esse esforço sugere que o Phosphorous está fortemente motivado e disposto a investir várias horas e recursos para realizar extensas pesquisas e coletas de informações", afirmou a companhia.

A Microsoft disse ainda que notificou os usuários envolvidos nas investigações e que tem trabalhado para garantir a segurança de suas contas.

A empresa rastreia o grupo, também conhecido como APT 35, Charming Kitten e Ajax Security Team, desde 2013.

Em julho, a companhia afirmou em um comunicado que cerca de dez mil clientes de seus serviços foram alvos de ataques realizados por agentes não estatais no ano passado.

A maior parte da atividade se originou no Irã, na Coreia do Norte e na Rússia, segundo a empresa.

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