Madri adota discurso firme enquanto grupos separatistas marcham na Catalunha

Governo reitera que agirá 'de maneira firme e proporcional' para conter novos protestos violentos

Barcelona | Reuters

Apesar de novos avisos do governo espanhol de que intervirá em caso de mais protestos violentos, grupos pró-independência da Catalunha voltaram a entrar em confronto com a polícia nesta quarta (16).

O que começou como uma marcha pacífica contra a condenação dos líderes separatistas virou um cenário de batalha com coquetéis molotov, de um lado, e balas de borracha, do outro.

O presidente regional da Catalunha, Quim Torra, foi à televisão pedir o retorno à normalidade. "Nós condenamos a violência", disse. "Isso precisa parar agora."

Policiais usam escudo ao lado de fogo aceso na rua
Policiais mantêm guarda perto de fogo ateado por manifestantes durante protesto em Barcelona - Rafael Marchante/Reuters

A gestão do premiê interino Pedro Sanchéz reiterou que agirá "de maneira firme e proporcional" para manter a ordem, uma reação às manifestações nos dias anteriores, quando ativistas atiraram latas e pedras contra a polícia e incendiaram latas de lixo em confrontos em Barcelona.

Trinta pessoas foram presas, 125 receberam atendimentos médicos e, de acordo com a polícia regional, 43 policiais ficaram feridos nos confrontos.

Com a condenação à prisão de líderes catalães, na segunda-feira (14), pelo papel na tentativa fracassada de separar a região da Espanha, manifestantes bloquearam estradas e paralisaram o serviço de trens na região nordeste. 

 

Os confrontos são um desafio tanto para Quim Torra quanto para o governo espanhol, com sede em Madri, liderado por Sanchez.

 

O primeiro-ministro, chefe do PSOE, que enfrenta uma eleição em 10 de novembro, está sob pressão de partidos de direita para ser mais duro com os separatistas catalães e ativar uma lei de segurança nacional que assuma o controle das forças de segurança da região, tirando a prerrogativa de Torra.

Políticos de Madri pressionam o líder pró-independência a condenar a violência dos atos, mas ele não o fez quando questionado por repórteres sobre os confrontos de terça-feira.

"O importante aqui é ver essas pessoas rejeitando as condenações", disse Torra, enquanto participava de uma marcha realizada próxima a um reduto separatista de Girona. "É fantástico ver as mobilizações."

O desejo de independência da Catalunha causou uma grave crise política para a Espanha, e a reação de Madri é observada de perto por outros países europeus, como a Escócia, onde também há movimentos independentistas.

Após o fracasso na tentativa de independência, em 2017, mais de 4.000 empresas mudaram suas sedes para fora da Catalunha, incluindo os bancos catalães CaixaBank e Banco Sabadell.

Mais atos pró-independência estão programados para ocorrer em Barcelona e Madri na noite desta quarta-feira e ao longo da semana.

A Liga, que organiza o campeonato de futebol da Espanha, pediu à Federação Espanhola de Futebol que mudasse a partida entre Barcelona e Real Madrid em 26 de outubro para Madri devido aos protestos.

Ativistas partiram de vários municípios da Catalunha em marchas convocadas por dois grupos separatistas responsáveis por muitas manifestações pacíficas nos últimos anos e que não estavam por trás dos protestos violentos de terça-feira.

Os manifestantes planejam chegar a Barcelona na sexta-feira, data prevista por apoiadores da independência e sindicatos locais para a realização de uma greve geral e manifestações na Catalunha.​

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