Na Colômbia, governo fornece escolta e colete anti-balas a candidatos em eleição regional

Medida ocorre em meio a clima de tensão e violência no país

Buenos Aires

Diante das ameaças e dos ataques contra políticos que concorrem às eleições regionais da Colômbia, neste domingo (27), o governo nacional ofereceu coletes à prova de bala, veículos blindados e escoltas a 1.074 candidatos.

A medida dá uma mostra do clima de tensão e violência que permeia essa votação, em que serão escolhidos mais de mil prefeitos, 32 governadores, além de 2.000 representantes de assembleias departamentais e municipais.

Não era esse o cenário que se imaginava em 2016, quando o Congresso aprovou o acordo de paz entre o Estado colombiano e a até então principal guerrilha do país, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). 

Desde então, com tropeços e dificuldades, o acordo vem avançando lentamente. 

O que não se pôde evitar foi a radicalização da principal guerrilha no país hoje, o ELN (Exército de Libertação Nacional), com quem o governo anterior, de Juan Manuel Santos, vinha amarrando um acordo de paz, mas cujo processo foi interrompido pelo atual presidente, Iván Duque. 

O ELN se aliou a outros grupos armados no interior da Colômbia e parte deles cruzou a fronteira com a Venezuela, elevando a tensão entre os países. Segundo a Defensoria do Povo, desde que começou a campanha eleitoral, já foram vítimas de violência 230 políticos, sendo que nove deles foram assassinados. 

Além do desafio de realizar as eleições em paz, o governo de Duque, há pouco mais de um ano no cargo, precisa garantir que seu partido, o Centro Democrático, não perca tanto espaço, como indicam as pesquisas. 

Sua condução do país, até agora, vem sendo mal avaliada, com rejeição de 64% da população. Para piorar, o líder de seu partido e figura política mais importante da Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe, responde a processo na Justiça e tem pela primeira vez em muitos anos índice de desaprovação acima dos 60%.

A principal disputa desta eleição é pelo segundo posto mais importante do país, o de prefeito de Bogotá. A capital vem se posicionando eleitoralmente contra Duque. 

Ali, quem ganhou as eleições para presidente foi o matemático e ex-governador de Antioquia Sergio Fajardo, do Partido Verde. A cidade também votou em maioria pelo “sim” no plebiscito pela paz, no qual acabou ganhando, nacionalmente, o “não” defendido por Duque e Uribe.

Agora, os dois principais nomes para a prefeitura de Bogotá são Claudia López (centro-esquerda), também do Partido Verde, e Carlos Fernando Galán (centro), postulante independente e filho do ex-candidato a presidente Luis Carlos Galán, assassinado durante um comício de campanha em 1989.

Galán está apenas 4 pontos percentuais à frente de López (35,2% contra 31,2%, segundo o instituto Invamer), e a disputa é marcada por críticas ao governo nacional. Segundo levantamento do Gallup, os temas que mais preocupam os colombianos hoje são insegurança (83%), corrupção (82%) e narcotráfico (63%).

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