Descrição de chapéu Governo Trump

Pompeo veta depoimentos de funcionários em processo de impeachment de Trump

Em carta, secretário de Estado acusa democratas de bullying e critica convocação de autoridades

Washington | Reuters

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou os congressistas democratas de bullying e intimidação nesta terça-feira (1º) e se opôs à convocação de cinco autoridades ligadas à sua pasta para depor no processo de impeachment contra o presidente Donald Trump.

Funcionários e ex-membros do Departamento de Estado foram chamados para testemunhar nesta semana e na próxima dentro do inquérito que apura o pedido de Trump ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para investigar o filho de um rival político, o pré-candidato democrata Joe Biden.

Entre os convocados para depor estão a ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia Marie Yovanovitch e o ex-enviado especial dos EUA para a Ucrânia Kurt Volker. 

Mike Pompeo com Donald Trump em foto de fevereiro deste ano
Mike Pompeo com Donald Trump em foto de fevereiro deste ano - Leah Millis - 7.fev.19/Reuters

​Pompeo, que está na Itália para uma viagem de três dias, enviou uma carta à Câmara de Representantes se opondo à solicitação de comparecimento das autoridades para testemunhar. 

 
Na carta, publicada numa rede social, ele escreve que “está preocupado com aspectos do pedido que podem ser entendidos apenas como uma tentativa de intimidar, fazer bullying e tratar de forma imprópria distintos profissionais do Departamento de Estado (...), que o comitê tem agora como alvo”.
 
Ele ainda citou receios com o procedimento legal, afirmou que não há tempo adequado para a preparação dos depoimentos até as datas propostas e que as autoridades não devem testemunhar sem um conselho executivo presente para controlar o vazamento de informações confidenciais.

O secretário também disse que as gravações solicitadas pela Câmara dos Representantes estão sujeitas a restrições relativas a informações secretas e que não há base legal para a afirmação do comitê de que o não comparecimento para depor constituiria provas de obstrução de justiça.

"Deixe-me ser claro: eu não vou tolerar essas táticas e vou usar todos os meios disponíveis para prevenir e expor qualquer tentativa de intimidar profissionais dedicados", escreveu Pompeo.

Em reação ao comunicado do secretário de Estado, o chefe da comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eliot Engel, divulgou nota junto com outros dois colegas na qual afirma que Pompeo deve "parar imediatamente de intimidar testemunhas do Departamento com o objetivo de proteger a si mesmo e ao presidente".

"Qualquer esforço de intimidar testemunhas e impedi-las de falar no Congresso —incluindo funcionários do Departamento de Estado— é ilegal e constituirá evidência de obstrução no inquérito do impeachment." 

O comunicado diz ainda que, se Pompeo tiver estado de fato presente no momento em que Trump falou com o presidente ucraniano, ele também será chamado como testemunha do processo.

​O processo de impeachment foi detonado após um informante anônimo denunciar um telefonema realizado em 25 de julho, no qual Trump pediu ao presidente ucraniano que investigasse os negócios de Hunter Biden no país.

Hunter é filho de Joe Biden, ex-vice presidente durante as gestões de Barack Obama e um dos candidatos democratas mais bem cotados para enfrentar Trump na eleição presidencial de 2020.

Os democratas acusaram o presidente americano de pressionar um aliado vulnerável dos EUA a sujar um rival político para obter ganhos políticos pessoais.

Uma semana antes de o telefonema ocorrer, o republicano havia congelado cerca de US$ 400 milhões em ajuda militar para a Ucrânia. Posteriormente, o auxílio foi concedido.

Nesta segunda (30), o Wall Street Journal revelou que Pompeo participou como ouvinte da ligação ao presidente ucraniano, o que reforça as evidências de que o secretário de Estado fez parte dos esforços de Trump para obter vantagens políticas por meio de líderes estrangeiros. 

No mesmo dia, veio à tona a informação de que Trump também pressionou o premiê da Austrália,  Scott Morrison, a ajudar o Departamento de Justiça americano em uma investigação para minar as conclusões do procurador-especial Robert Mueller. 

Mueller foi o responsável pelo inquérito sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016, quando Trump foi eleito.

O procurador não isentou Trump das acusações de obstrução de Justiça.

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