Trudeau vence eleições no Canadá, mas não consegue obter maioria

Premiê terá de fazer acordos com outros partidos para governar

Ottawa e São Paulo | Reuters

O Partido Liberal, do premiê Justin Trudeau, foi o mais votado nas eleições canadenses realizadas nesta segunda-feira (21). Não conseguirá, no entanto, obter sozinho a maioria das cadeiras do Parlamento e, para governar, terá de formar alianças.

Com 99,7% dos votos apurados, o PL somava 157 cadeiras —é preciso de 170 para obter maioria. Seu principal rival, o Partido Conservador, levou 121. Em seguida, vieram os partidos Bloco Quebequense (32 assentos; independentista), Novos Democratas (24; de esquerda) e Verdes (3).

O premiê canadense Justin Trudeau, cujo partido foi o mais votado nas eleições, discursa em Quebec
O premiê canadense Justin Trudeau, cujo partido foi o mais votado nas eleições, discursa em Quebec - Carlo Allegri - 22.out.19/Reuters

Em relação ao pleito de 2015, o partido de Trudeau perdeu 20 assentos. Já o Partido Conservador aumentou sua vantagem em 26. Os Liberais foram mais votados nas províncias do leste, como Québec e Ontário (onde fica Toronto), enquanto no oeste, em Alberta e Columbia Britânica, os Conservadores ficaram à frente. 

“[Um governo de minoria] forçaria as pessoas a conversarem entre si, que é o que precisamos”, disse a eleitora Naomi Higgins, 24, de Toronto, que apoiou os liberais por quatro anos, mas mudou para os Verdes nestas eleições. 

Desde que a campanha de Trudeau foi abalada por escândalos, havia expectativa de que a disputa entre liberais e conservadores seria apertada.

No início de setembro, uma foto do premiê com o rosto inteiramente pintado de marrom foi publicada pela revista Time. A prática, chamada de “blackface”, é racista. 

O termo surgiu para descrever atores brancos que encenavam papéis de negros no teatro, ambiente proibido para pessoas não brancas na América do Norte até meados do século 20.

Ele também foi criticado pela maneira como lidou com um caso de corrupção envolvendo uma construtora.

Outro desafio que teve que superar durante a campanha foi a sensação de cansaço da população com o seu governo.

Eleito em 2015 com base em sua figura carismática que prometia “caminhos ensolarados”, o premiê disputou com o conservador Andrew Scheer a oportunidade de formar o próximo governo.

Trudeau é líder do Partido Liberal e filho do também liberal ex-premiê Pierre Trudeau.

Tido como um dos últimos progressistas à frente das principais democracias do mundo, recebeu, na reta final de sua campanha, o apoio do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, o que não foi suficiente para ofuscar a repercussão do “blackface”. 

Acompanhado de sua família, o premiê votou em Montréal após uma intensa viagem por todo o país nos últimos quatro dias.

Em uma rede social, pediu aos canadenses que saíssem para votar —no Canadá, o voto é facultativo. Para os liberais, o engajamento era crucial, e o premiê temia que a baixa participação afetasse sua reeleição mais do que os próprios conservadores. Houve 62% de comparecimento, contra 68% em 2015. 

A economia do país registrou bons resultados durante seu governo. Houve criação de novos empregos e a inflação ficou próxima da meta de 2% fixada pelo Banco Central.

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